Pegadas de Jesus

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segunda-feira, 6 de junho de 2011

PÁTRIA MADRASTA VIL



Imagem do Google


Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. .. Exagero de escassez... Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.
Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição! É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos.
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?
***

Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.

Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'

A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da UNESCO.

6 comentários:

Marli Borges disse...

Olá Socorro!
Grande texto esse. Há uns 10 ou 12 anos atrás, Luiz Fernando Veríssimo escreveu algo mais ou menos assim, e lembro que gostei muito. Mas esse agora, superou!!! É o retrato falado da nossa realidade brasileira.
Obrigada por compartilhar.
Bjssssssss

Misturação - Ana Karla disse...

Socorro há quem enxergue ao longe e rapidamente e claramente, assim como Clarice.
Estou encantada com essa redação de Clarice. Não saberia desenvolver tema com tamanha riqueza.
Boa semana
Xeros

Lúcia Soares disse...

Socorro, achei o começo muito pesado, mas fui lendo e a cada linha abrindo minha cabeça e aceitando tudo, escrito lindamente por uma moça jovem, cheia de esperança e que acredita na possibilidade de uma mudança.
Que tem que vir através de nós todos, cidadãos que pagam impostos e só sabem reclamar, não pomos a mão na massa, não vamos à luta por nossos direitos!
Parabéns para a Clarice Zeitel.
Beijo e boa semana.

Gilmara Wolkartt disse...

Maravilhoso texto! Com certeza quero a minha amada pátria!
Mas as coisas não andam fáceis por aqui, a pátria anda bem madrasta.
Parabéns pela escolha do texto.
Gd beijo

pensandoemfamilia disse...

Realidade nua e crua, mas será que quantos de nós queremos mudanças estruturais internas?
É preciso coraGEM, GRANDE DESEJO DE SAIR DO SEU PRÓPRIO MUNDINHO E OLHAR À VOLTA E TER AÇÕES PESSOAIS, SEM DIZER PARA QUE FAZER ISTO OU AQUILO SE NADA MUDA...
EU CREIO NA CORRENTE DE AÇÕES COMO POSSIBILIDADES DE MUDANÇAS COLETIVAS.

Néia Lambert disse...

Essa redação é realista, quisera que ela não estivesse falando do Brasil! infelizmente, ela está absolutamente certa.

Beijos