Blogagem Coletiva - Fases da Vida
Tema de Hoje - Infância
Idealizadoras:
Era uma vez uma menininha pobre que morava lá pras bandas de Pernambuco, numa graciosa cidade chamada Belo Jardim.
A menininha era bem cuidada, protegida e amada; e atendia pelo carinhoso nome de Socorrinho. Ela era tímida, chorona, quieta, e medrosa.
Ficava horas a fio a escutar as histórias infantis, e contos de fadas, e a imaginar-se naquele mundo mágico do faz de conta.
Tinha medo de tudo: do lobo mau, de cachorros, de papa-figo, de papangus, de palhaço, e até mesmo do Topo Gígio (alguém lembra dele?), aquele de orelhas enormes.
Se ela teve doenças infantis? Teve sim: coqueluche, papeira e sarampo.
Dizia sua mãe, que ela teve sarampo aos dois anos, e que foi tão forte, mas tão forte, que enfrentou a morte pela segunda vez. Por causa do sarampo, ela perdeu seus fios de cabelo, que eram lisos, sedosos e brilhantes, e que após o sarampo, nasceram secos, cacheados, e rebeldes, - e aqui a menininha contabiliza seu primeiro (grande e irreversível) prejuízo.
Gostava de brincar de casinha de bonecas, de brincadeira de rodas, de academia (amarelinha), de pular cordas, de esconde-esconde, do toque e de tantas outras mais.
Divertia-se em piqueniques, tomava banhos de rio, de cachoeira, de chuva, e comia fruta no pé.
Nunca foi gulosa, mas, gostava de comer pipocas, castanhas de caju, coquinho catolé, amendoim torrado, refrigerantes, bolos, e tudo que aparecesse à sua frente.
No São João, soltava fogos, não aqueles que estouravam, e faziam barulho, mas, aqueles bonitinhos: traque de sala, chuvinha, estrelinhas, e diabinhos, que não ofereciam tanto risco, eram quase inofensivos.
Nas festas religiosas da cidade, que eram as mais importantes, vestia sua roupa e sapatos novos, e ia à procissão, com a mãe, para depois, se divertir no parque de diversões, onde apesar do medo, adorava ir na roda gigante, na montanha russa, no carrossel, e em tantos outros brinquedos diferentes que apareciam a cada ano.
A menininha tinha uns dez anos quando ganhou seu primeiro presente de Natal, bem singelo. Nos anos anteriores, nem sabia o que era presente de Natal. Mas, no Natal, também havia comemoração em casa de sua avó, e naqueles dias, havia muita comida diferente, parece que tudo era mais gostoso.
Enquanto criança, a menininha nunca teve uma festa de aniversário, pois, sua família não tinha condições financeiras pra dar uma festa, e não ganhava presentes, porém, a mãe sempre fazia um lanche diferente e gostoso pra comemorar.
Foi à Escola aos seis anos, e se encantou, com os livros, com a escrita, e com o conhecimento, sem sequer imaginar, que a mágica do saber, era o seu passaporte para uma vida mais próspera no futuro. E durante toda sua vida escolar, foi uma aluna exemplar (e modesta! kkk).
Certa feita, ganhou uma boneca grande, que chorava, e isso era novidade pra ela, pois, suas outras bonecas não faziam nada. Essa boneca, seu pai trouxe do Rio de Janeiro, onde tinha ido trabalhar por um tempo. A boneca que chorava, foi a grande companheira da menininha, que por coincidência, também era chorona.
Mas, Socorrinho, nunca abandonou suas outras bonecas, a maioria bonecas de pano, que eram feitas pela sua madrinha Maria, e que ela tanto gostava.
Tirou sua primeira fotografia aos nove anos, por ocasião da Primeira Eucaristia, pois, fotografia era artigo de luxo e a família da menininha não podia arcar com despesas extras.
E assim, a menininha seguiu feliz a sua infância, tão simples, mas, tão rica de momentos prazerosos, vividos ao lado de sua família, que sempre foi muito unida. E o amor, lhe bastou, pois, preencheu todos os espaços vazios.
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