CARTA A UM JOVEM AMIGO:
Olá, P...!
Desde a juventude, eu trago no coração um belo exemplo de vida, que quero neste momento, compartilhar com você. Conto-lhe, pois, uma história:
Há oitocentos anos atrás, viveu um jovem, como tantos outros, numa bela cidade que ficava encravada no alto de um monte, numa região privilegiada por belezas naturais, cercada por uma planície, cultivada de parreiras, e vastos campos de trigo e oliveiras. Viam-se também, por todo o vale, em derredor, muitos abetos (pinheiros) e flores de diversos formatos, fragrâncias, e cores... E essa cidade, foi cenário de uma das mais expressivas histórias de amor do mundo, de amor ágape.
O jovem era alegre, extrovertido, e vivia intensamente o arroubo da juventude. Era rico, e esbanjador. Divertia-se com amigos, e até com mulheres, e adorava festins, banquetes, o que na linguagem da juventude do nosso tempo, chama-se balada.
Usava roupas finas e caras, e tinha bons cavalos, pois que naquela época, não existiam carros, nem motos.
Entanto, tinha boa índole, e era muito sensível. Gostava de cantar, e cantando, encantava...
Ele, como todo jovem, tinha um sonho: o de ser cavaleiro. Sim, pois que a glória dos moços de então, consistia na bravura que demonstravam nas guerras, e o grande prêmio, para os vencedores, era o título de nobreza e o respeito da sociedade.
Lançou-se, portanto, o nosso jovem, nessa peleja, mas, eis que foi derrotado, e tornou-se prisioneiro de guerra. Viveu por dois longos anos na prisão, amargando sofrimentos de toda sorte, antes desconhecidos, e que lhe renderam sérios problemas, inclusive de saúde.
Apesar das adversidades, ele não perdeu o seu grande dom, a alegria, mas, passou a refletir na efemeridade da vida, e mergulhando em si mesmo, na sua interioridade, deparou-se com um grande vazio, e viu que aquilo não era bom, e resolveu mudar seus paradigmas.
Entendeu, por fim, que o mundo exterior, com suas glórias e pompas, o que diríamos hoje, com sua Tecnologia e Ciências, modernidades e libertinagens, não lhe garantiam plenitude, paz interior, felicidade, pois, somente em Deus, é possível ao homem realizar-se, pois que se alimenta da seiva da vida, que emana do Criador.
E ele se entregou, nos braços de Deus, de forma magnífica. Percebeu, que somente vencendo-se a si mesmo, dominando todos os vícios, e praticando virtudes, conquistaria para si o grande tesouro: o amor divino.
E amar, aprendeu o jovem, também significava partilhar. E tornou-se humilde, e generoso, e foi ao encontro do semelhante, do sofredor, do menos privilegiado, do enfermo, do órfão, do arrogante, do ladrão, do faminto, do desesperado, e de toda sorte de irmãos, que precisasse do seu carinhoso amparo, pois, todos passaram a ser seus irmãos.
E foi tão grande a sua entrega, nas mãos de Deus, foi tão pura e honesta, que até as aves do céu paravam para ouvi-lo, ou pousavam-lhe nos ombros, para receber sua atenção. E para ele, todos eram irmãos: o sol, a lua, as estrelas, a água, o fogo, os animais... Tudo lhe falava de Deus, e Deus, era tudo, em todos. E foi sagrado cavaleiro de Cristo, Arauto do grande Rei, como ele mesmo se denominava.
E ele, é o exemplo de vida, que trago em meu coração, é um límpido espelho de perfeição, como bem diz os versos de um cântico em sua homenagem: Francisco de Assis.
P..., que o seu coração de jovem, seja abençoado por este grande santo, e que você tenha sempre a ousadia, a coragem, e a determinação de se decidir por Deus, na pessoa do seu filho muito amado: Jesus Cristo, o centro da mensagem de Francisco.
Parabéns, meu amigo, pela atitude de participar deste Encontro de Jovens. Desejo que os frutos dessa decisão lhe acompanhem por toda sua vida.
Com todo meu carinho
Socorro Melo