Pegadas de Jesus

Pegadas de Jesus

sábado, 29 de agosto de 2015

INGRATIDÃO



Teoricamente sei que as pessoas não são iguais, que cada uma tem o seu jeito de ser e de agir. O que é importante para uma, não deve ser, necessariamente, a mesma coisa para outra. Sei que devo compreender as limitações e as fraquezas “do outro”, mas, na prática, não consigo entender, como aceitar ingratidão daqueles a quem muito nos doamos. É óbvio que todos nós erramos, fazemos coisas que entristece a quem amamos, vacilamos... mas, repetir as mesmas atitudes egoístas, mesmo sabendo que elas vão ferir, machucar, indignar... Irresponsabilidades, cinismos, tudo passa pela mentira, e mentira destrói a confiança. Entendo que nossa liberdade, esbarra sempre na liberdade de alguém. Se temos compromissos, eles exigem satisfações. Como não cumpri-los? É falta de amor e de respeito agir de forma egoísta, e ainda por cima, tentar se justificar com meias verdades. Decididamente, ainda não sei como se ofertar perdão a quem não faz questão de receber.

Por Socorro Melo 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

ESPIRITUAL IDADE - CONFIANÇA VIRTUAL

  

Esta é a minha participação na festa do Blog Espiritual-Idade (http://www.idade-espiritual.com.br/ ) da Rosélia Bezerra.
Parabéns, Rosélia, por nos presentear com uma página tão iluminada, e com a sua amizade tão calorosa. Que o  Espiritual-Idade continue mostrando a sua beleza e vivacidade, alegria e inocência (de seus seis aninhos), e nos ensine a perseverança, que passa pela confiança, para fortalecer os laços de amizade que se fazem por aqui. 



CONFIANÇA VIRTUAL
A pessoa humana é a maior maravilha do mundo. E justamente por ser inexplicável, incompreensível, exerce tanto fascínio.  A amizade é o que nos aproxima desse mistério. Uma vez amigos, vamos descobrindo as grandezas de cada um. E para viver essa aventura, muitas vezes pagamos um preço. Até que tenhamos mergulhado no universo de cada ser, precisamos de ousadia para adentrar. A confiança requer ousadia. Ter confiança é dar crédito ao outro. É acreditar na sinceridade e na retidão moral. Ela cresce e se estabelece à medida que vamos levantando o véu, conhecendo a outra pessoa.
No mundo virtual, eu, particularmente, sondo as pessoas pelo que escrevem, pelo que pensam,  pelo que creem, pelo que lutam, pelo que se indignam. Pelas atitudes. Porque até mesmo nesse universo podemos perceber comportamentos, sutilezas, grandeza de alma, humildade, mas também pretensão, imaturidade, vaidade e preconceito.
A confiança virtual é acima de tudo ousadia, que nada mais é que prudência. Prudência é respeito, é cautela. E quando não nos esquecemos disso, podemos sim, firmar amizades sadias e verdadeiras, que passam a agregar valores em nossas vidas.
Nunca passei por qualquer experiência desagradável, negativa ou impertinente, durante mais de cinco anos em que navego nas redes sociais. Pra isso tomo minhas precauções: sou respeitosa, não me envolvo em polêmicas, e não me relaciono com pessoas que não demonstram prezar os princípios que me norteiam. E assim, vou desfrutando dessa aventura que é construir amizades, e foi assim, que nasceu a minha amizade com Rosélia e com tantos outros nesse mundo virtual, em quem confio e com quem partilho minha experiência de vida.

(Socorro Melo).


segunda-feira, 10 de agosto de 2015





Blogagem Coletiva proposta por Norma Emiliano, em comemoração aos seis anos do seu Blog http://pensandoemfamilia.com.br/

Muito grata, Norma, pelo convite, e parabéns pelo Blog que tem uma proposta bonita e digna, de compromisso com a família. Eis a minha história...


DE  CARRO A PATOS...


Eu tinha 20 anos. Participava do Rotaract, o clube de jovens do Rotary Club, da minha cidade Belo Jardim, em Pernambuco.
Naquela ocasião nós, do Rotaract Club, iríamos participar de uma Convenção Distrital que aconteceria na cidade de Patos, na Paraíba.
Eu não conhecia Patos, e estava animadíssima para esse evento, tanto por conhecer a cidade, quanto pelas expectativas do encontro, pois, tudo era novidade, eu apenas começara a descobrir o mundo.
Chegou o dia, e lá fomos nós.
Na véspera da viagem, as meninas do grupo,  dormimos na casa da nossa amiga Júlia, de onde sairíamos pela madrugada, junto com os rapazes, rumo ao nosso destino. Na verdade nem conseguimos dormir, de tanta emoção. Rimos e conversamos muito, e às três da manhã, partimos.
Seguimos pela BR 232 em direção ao sertão de Pernambuco, para num determinado ponto, entrar na Paraíba, só que tomamos um atalho, para ganhar tempo, e ao invés disso nos perdemos, e rodamos por muito tempo sem se quer ver uma vivalma e sem ter noção de onde estávamos. Era o tempo da Copa do mundo de 1982, da Espanha, e depois de rodar tanto sem saída achávamos que não tardaria para que Madri aparecesse à nossa frente. Brincávamos para manter a calma, pois, já começávamos a nos preocupar com a possível falta de combustível. Depois de muito tempo, chegamos à estrada principal, a BR.
A hora já estava avançada, e talvez não conseguíssemos chegar para abertura do evento, onde deveríamos nos apresentar. Prosseguimos animados. Em Monteiro, na Paraíba, quando o sol já estava alto, o carro se chocou com uma coluna de ferro e cimento. Por sorte não nos ferimos, mas, o susto foi grande, e ainda perdemos um pouco mais de tempo tentando nos desvencilhar dos policiais rodoviários que faziam inúmeras perguntas e tencionavam segurar o carro que ficara um pouco amassado, entanto, com nosso tradicional jeitinho brasileiro conseguimos convencê-los, era só um amassadinho de nada. E lá fomos nós cortando o sertão da Paraíba.
Chegamos tarde, cansados e com muita fome. Perdemos a abertura do evento e o café da manhã. Porém, o encontro estava animadíssimo, com muitos jovens, muitas atividades, música, bandeiras, cores, coreografias, etc.
Passados os momentos de contrariedade, tudo se normalizou. Fomos alojados, almoçamos, descansamos e à tarde voltamos para a plenária. Foi o primeiro evento de grande porte que eu participei. Fiquei um pouco deslumbrada com tudo. Nunca viajara para tão longe... Nunca participara de um encontro com tanta gente,  com jovens de várias cidades, de quatro estados diferentes...  Nunca havia escutado palestrantes tão bons e tão dinâmicos, além dos meus professores... Eram tantas as atividades, as brincadeiras, as dinâmicas, os jogos, que o tempo parecia voar... E houve um campeonato de futebol de salão, e o nosso time masculino foi chegando de mansinho, e se classificando. Era um timizinho fraco, sem perspectiva, mas, na noite daquele sábado se tornou um gigante e se  classificou para a grande final na manhã seguinte. Tinha vencido outros mais expressivos, mais agressivos, e conseguiu se impor e sonhar com a taça daquela Convenção.
E para coroar àquele dia, ainda faltava algo acontecer: à noite, acordei com muito barulho no alojamento feminino, e um entra e sai de mulheres correndo pro WC, e mesma coisa acontecendo com os garotos no alojamento masculino. As filas dos sanitários eram quilométricas, pois, alguma coisa estragada no jantar, havia causado toda aquela confusão, que ainda assim, tornara-se ocasião de divertimento para os jovens. Fui dos poucos que escaparam desse vexame.
Dia seguinte, domingo, último dia da Convenção, entre outras coisas, eu estava ansiosa para o jogo. Torci muito pelo meu time, incentivei, pulei e gritei na arquibancada, e quando menos se espera, meu time sofre um pênalti, e aí foi o nosso fim. Amargamos o segundo lugar.
Fiquei  amuada, como dizemos aqui no Nordeste. Triste demais. Zangada com os meninos. Indignada com aquela perda irresponsável. E aí, sentei-me em algum lugar perto da Quadra do Ginásio de Esportes, curtindo minha raiva, quando a Júlia bateu essa foto. Todos tentavam me consolar, mas, eu, dura na queda,  por um bom tempo permaneci assim, bicuda.
A volta pra casa foi tranquila...  E só sei que foi assim... Há 33 anos...


(Socorro Melo)


quarta-feira, 17 de junho de 2015

CREPÚSCULO


Assim como o sol, tenho feito minha trajetória, dia após dia. Já percorri mais da metade do caminho. O brilho da aurora se distancia. Círculos se fecham. Vivo o resultado das minhas escolhas. Sou consciente de que as fases que se encerram não voltam mais. Vislumbro a luz do poente, e se em algum momento me senti melancólica, essa luz me indicou que a beleza da vida continua, que haverá surpresas, renascimentos. Não tive perdas significativas, ainda. A vida foi generosa comigo. Mas, bem sei que posso tê-las, pois sou humana e inerente aos dissabores da minha natureza. Tento me preparar, e bem sei que nunca vou conseguir, sozinha. Carrego no peito uma fé que me garante que além dessa matéria existe um lugar onde a vida se refaz, onde é mais bonita. E assim, apesar de me assemelhar a um caniço balançando ao vento, vou erguendo a cabeça enquanto faço minha órbita, crendo que tenho muito ainda a aprender e a me desprender. Mas, quando contemplo o espetáculo do crepúsculo, minha alma se incendeia, pois, sabe que como o sol, pode ser sempre sinal de vida, beleza e luz.


Por Socorro Melo

quarta-feira, 3 de junho de 2015

NÃO SABEMOS DE NADA...


A gente escuta e lê tanto disparate que é difícil de acreditar. É tanta parvoíce e tanto pavoneio que causa náusea. Gente, que sabemos nós, de absoluto, do mundo, da vida? Nada. O que imaginamos saber, porque lemos uns poucos ou muitos livros já é fruto do trabalho de tantos outros, somos apenas leitores, na maioria das vezes. O que de fato acrescentamos de novo, que já não tenha nas Enciclopédias pelo mundo afora, para que nos achemos tão sábios? Tudo que imaginamos saber não é nada ante a enormidade, diversidade e complexidade do Universo. Tudo que sabemos é relativo. Sabe quando de fato sabemos alguma coisa? Quando tomamos consciência de que nada sabemos, como bem dizia o grande Sócrates: eu só sei que nada sei. E estas poucas palavras encerram uma grande verdade. (Socorro Melo).

quarta-feira, 25 de março de 2015

JUSTIÇA MAIS QUE PERFEITA


Nunca pensei que pudesse falar da morte com tanta liberdade, sem receios. Se tenho medo da morte? Tenho, sim. Mas, mudei muito o meu conceito de uns tempos para cá. O que antes  me apavorava só de ouvir falar, hoje já não causa tanto efeito. Acredito que nada nos acontece sem a permissão de Deus, e que também nós, temos um calvário a subir, no fim da nossa jornada terrena. No entanto, meditando sobre justiça, entendi finalmente que o maior ato de justiça de Deus para com a humanidade é a morte. Orgulhosos, vaidosos e egoístas como somos, tiranos, jamais nos permitiríamos nos igualar uns aos outros. A vida seria uma eterna sucessão de histórias: de opressores e oprimidos, senhores e escravos, opulentos e mendigos, letrados e analfabetos... Porém, Deus, na sua infinita sabedoria, põe um ponto final na história de cada um, igualando a todos com a morte, sem direito a contestação, esperneio, bajulação, tentativa de corrupção, negociata, nada de nada. Justiça mais perfeita, não há.


Por Socorro Melo.

quarta-feira, 18 de março de 2015

SER LIVRE...


O que fiz com a minha liberdade? Sou, de fato, livre? Quantas vezes me deixei levar por opiniões que não condiziam com as minhas? Quantas vezes me sujeitei a viver como não quis? Quantas vezes fui vítima da massificação? Do materialismo? Dos modismos? Quantas vezes não expressei minha opinião por medo ou por vergonha? Quantas vezes usei máscaras? Interpretei papéis? Não sou livre apenas porque tenho o direito de ir e vir. Sou livre quando vivo de forma coerente com as minhas convicções. Sou livre quando não tenho medo de dizer quem sou, o que penso, e como quero viver, mesmo que para isso tenha que nadar contra a corrente. Se minto, se me engano, se tento enganar, não sou livre, decididamente. Penso que toda pessoa humana é escrava de si mesma, porque toda pessoa humana é egoísta, em maior ou menor grau. E somente quem ama, de verdade, é capaz de se libertar das correntes. O meu maior exemplo de liberdade é Jesus. Fico extasiada diante das respostas que ele dava aos hipócritas, mesmo que fossem seus anfitriões, ou autoridades constituídas. E não fazia isso por pretensão, mas com autoridade, porque de fato vivia o que acreditava e pregava. A liberdade interior é sinônimo de autenticidade. Quero ter consciência plena desta verdade e me empenhar na luta para me libertar, primeiro, de mim mesma.

Por Socorro Melo


quarta-feira, 11 de março de 2015

JOGO DA VIDA


Há momentos em que tenho a nítida sensação de que estou pronta: que pretensão! Essa sensação é tão rápida quanto a luz, e numa fração de segundos se dissipa. Percebo o quanto falta para me sentir, de fato, uma pessoa serena, realizada. De repente, tudo parece embaralhado, como num quebra cabeças, onde as peças estão misturadas, fora do lugar. Vou tentando encaixar as peças, uma após outra, e aos poucos vai surgindo uma imagem colorida, cheia de luz. Bem no meio dessa imagem percebo umas lacunas, de peças que ainda não consegui encaixar, tornando meu trabalho inacabado e feio. Entendo que essas lacunas são meus projetos pessoais de crescimento que estão em andamento ou que ainda não despertei para realizá-los. Noto que para formar a imagem, que me agrada, precisei de paciência, dedicação e esforço. Sorrio a cada vez que uma peça se encaixa, trazendo-me a alegria do dever cumprido. Por fim, sou fortemente levada a crer que se não fossem as peças mais difíceis a imagem não teria ficado tão bonita. Também observo que se não fossem as faltosas, não haveria ânimo, vontade de prosseguir, motivação. Proponho-me, portanto, a continuar jogando esse jogo, da vida, através das tentativas e erros, encaixando peças, me consolando com a imagem construída, atenta aos seus detalhes, buscando aperfeiçoar, aqui e ali, e mais especialmente, parando para contemplar, como um exímio jogador de xadrez, as estratégias para a jogada perfeita. Nunca vou estar pronta, mas, vou tentar até o fim.


Por Socorro Melo

segunda-feira, 9 de março de 2015

SEI TÃO SOMENTE...

Palavras que me tocaram, porque traduzem um dos meus jeitos de pensar Deus.


"Sei tão somente que Deus se mistura dentro de mim como impulso, norte, nostalgia, horizonte, atracadouro. Empenhei o meu futuro em seguir seus passos invisíveis. No dia em que o chamei de Senhor, a extensão do meridiano da minha esperança se alongou. Nele, os fragmentos de meu mapa existencial não precisaram mais se encaixar. Aprendi a conviver com pedaços desconexos. Não me encabulo ao seu lado. Estradas bloqueadas por tapumes ou por neblinas não me intimidam. Deus imanta o ponteiro da minha bússola.

Sei tão somente que Deus se fez residente no campus onde elaboro pensamentos. Presente nos voos da minha imaginação, ele se transforma no mais doce ideal. Minha seta e meta, o entusiasta das interrogações que me levam adiante. Deus me quer curioso. Ele sempre incentiva a perguntar mais. Causa de toda inquietação, Deus se esconde na fonte da minha angústia.
O que dizer de Deus?
Pouco.
Melhor o silêncio.
Que as poucas palavras, então, sejam esforço – precário – de expressar reverência".

(Ricardo Gondim)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

UMA MENSAGEM PARA M... VOCÊ FAZ?


Eu acabara de ler uma mensagem de Natal dirigida aos presentes na celebração. Uma mensagem bonita, mas  da qual não fui autora. Terminada a Santa Missa, uma senhora aproximou-se de mim dizendo que queria falar comigo. Fiquei surpresa, pois, apesar de conhecê-la, não temos convívio.

Num cantinho à parte, ela me disse: que mensagem linda a que você leu. Queria lhe pedir que fizesse uma mensagem de aniversário para o meu filho, que completa anos no dia de Natal. Você pode me fazer essa gentileza? E eu respondi: posso sim. Qual é o nome dele? E o que a senhora gostaria de dizer-lhe? E ela bastante efusiva disse: o seu nome é M... e eu gostaria de dizer-lhe que o amo muito, muito, muito... escreva isso pra ele.

Para alguns, esse recado da mãezinha de M... pode parecer banal, pois, ouvimos tanto se falar sobre o amor. Para mim ele tocou profundamente, pois, sei o que é o amor de mãe, o quanto é verdadeiro, e o quanto é urgente para cada uma de nós fazer entender aos nossos filhos o nosso amor. Mãe não precisa dizer mais nada. Mãe dá a vida por amor e sabe cuidar da vida que criou.

Fiquei pensando no quanto M... é felizardo, por ser tão amado. Ele tem tudo o que alguém precise para ser feliz.

E pensando nisso, com muito respeito por aquela senhora, enlevada pelo seu gesto simples e bonito, fiz a mensagem para M... Coloquei-me no lugar dela, e pensei em meu próprio filho quando o fiz. E não faria melhor. M... feliz aniversário! Cuide da sua mãezinha como ela merece.

Por Socorro Melo.