Anos dourados...
Nós, mulheres desta foto, temos, ao menos,
duas coisas em comum: somos amigas da aniversariante, e somos cinquentinhas...
Vivemos os anos dourados.
Dourados porque comemoramos recentemente,
cada uma a seu tempo, o nosso jubileu de ouro.
Eu, particularmente, não tive o prazer de
festejar em grande estilo os meus 50 anos, pois, na época passava por um
período de cuidados com a saúde.
E fico pensando, cá com meus botões: são
mesmo anos dourados?
Estou na esquina do tempo nº 50, como bem
definia uma saudosa amiga e escritora, a Glorinha Leão, autora de um livro com
este título.
O que me proporciona esse tempo? O que vejo
nessa esquina? O encerramento da carreira profissional, o envelhecimento dos
pais, a saída do filho de casa, e as sutis mudanças biológicas inerentes à
idade... Todavia, não só.
Penso num tempo de liberdade. Um tempo em
que eu tenha disponibilidade para cuidar melhor de mim, para viver sem
correrias, para me libertar, um pouco, do jugo do relógio.
Confesso que até amadurecer a ideia de
aposentaria, tive medo. Medo de me desligar do universo do trabalho, da rotina
de todos os dias, das novidades desse universo, e do companheirismo. Tive medo
das perdas financeiras.
Houve uma luta dentro de mim. Mas, aos poucos eu fui
confrontando os pós e os contras, ponderei, rezei, aceitei e decidi: vou me
aposentar em breve, e estou encarando com naturalidade essa ideia sabendo que
estou diante de uma fase da minha vida que se encerra, porém, de outra que se
inicia.
E pretendo viver meus anos dourados com
muito ânimo e dinamismo. E tenho para eles alguns pequenos projetos. Construí a
minha vida dentro dos meus princípios, dos meus valores, daquilo em que sempre
acreditei. Errei muito, mas, acertei, por vezes. Aspirei tantas coisas, me
lancei em tantas oportunidades, repensei tanto minhas escolhas, caí e levantei,
mas, estou de pé e sou consciente de que a vitória é isso.
Quero, neste novo caminho, ter um olhar
diferente para a vida. Quero fazer valer cada minuto. Quero me tornar uma pessoa melhor, mais
humana, e quero agradar, acima de tudo, a Deus. (Socorro Melo)