Pegadas de Jesus

Pegadas de Jesus

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

FRAGILIDADE


Ontem, pela primeira vez, eu visitei uma UTI neo-natal. Fiquei sensibilizada com aqueles serzinhos indefesos e frágeis, mas, ao mesmo tempo fortes, lutando pela vida. Alguns entubados, outros precisando usar sondas para receberem o alimento, e todos dependentes de aparelhos e equipamentos médicos.

Bem ao lado da UTI neo-natal, numa sala chamada vip, que de vip só tem o nome, ficam as mamães. Todas apreensivas, cansadas, marcadas pelo sofrimento da espera. Algumas já há bastante tempo ali, ao lado dos seus bebés, aguardando o grande dia de voltar pra casa. Todas têm apenas um desejo, verem seus filhinhos em condições de levar vida normal. E todas carregam no peito um amor imensurável por aquelas criaturinhas frágeis que ainda estão em processo de formação e de fortalecimento.

A UTI neo-natal mexeu  com minha estrutura. Eu nunca havia pensado, de verdade, como seria. Pareceu-me um santuário. Um lugar sagrado. Apesar da fragilidade de cada um, senti uma energia boa, positiva, uma ternura pairando no ar. Senti uma força estranha movendo aquele lugar, uma força que sozinhos aqueles bebezinhos não teriam. E percebi a importância do trabalho daquelas profissionais, tão dedicadas, delicadas, cuidadosas, um pouco mãe de cada um. 

Em contrapartida, hoje, quando fazia minha caminhada matinal, ultrapassei uma senhora magrinha, bem velhinha, que caminhava a passos lentos, levando numa mão uma garrafinha de água, e na outra uma sombrinha. Pareceu-me tão frágil, talvez ainda mais por ser encurvada. E fiquei observando-a. E ela caminhava até bem, dentro das suas limitações. Era a luta por uma melhor qualidade de vida, certamente.

Achei tão bela a atitude daquela senhora, de estar às seis da manhã, naquela idade, com tantas limitações, se exercitando. Senti que uma força estranha movia aquela mulher, o desejo de viver, de aproveitar cada instante procurando se melhorar.

Dois extremos. O começo e o fim da vida. A primavera e o outono. Ambos tão permeados pela fragilidade. E assim é o nosso caminho. Tão dependentes uns dos outros. Tão frágeis. Tão pequenos.

Mas, no meio do percurso nos enchemos de orgulho, de insensatez, e passamos a acreditar que somos independentes, implacáveis, poderosos... Qual nada!  Ai de nós se não houvesse uma força estranha a nos mover, a nos direcionar, e a dar maior sentido às nossas vidas.

(Socorro Melo).

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

ERA SÓ UM MENINO


Era só um menino. Um menino sírio...
Uma das imagens que mais me emocionou, nesses dias, foi a de um menino sírio, gravemente ferido, que antes de morrer  disse, resoluto:  eu vou contar tudo a Deus...
Sim, menino, conte tudo mesmo, conte o que os homens tem feito de nossa terra, o quanto a tem destruído, e o quanto tem desrespeitado a criação movidos por uma cobiça insana e uma sede desvairada de poder...
Conte que toda a riqueza se concentra nas mãos de poucos, enquanto milhares de milhares são excluídos das sociedades, tratados como lixo, descartados...
Conte como morrem de fome e o quanto são violentadas e arrancadas a esperança e a inocência de tantas crianças assim como você...
Conte o quanto, pela força, os malvados escravizam os mais fracos...
Conte o quanto é ridicularizado o homem justo, honesto, o homem de paz...
Conte, como barbaramente são mortos tantos cristãos, simplesmente porque  se propuseram a seguir o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, a fazer o bem e a  viver o amor...
Conte, o quanto se corrompem, se animalizam, o quanto mentem, o quanto jogam na lama a dignidade de filhos de Deus, que por Ele foi dada a cada um...
Conte, conte mesmo, conte tudo... Deus é amigo das crianças e vai lhe ouvir, e quando lhe aprouver, vai por um fim nesta balbúrdia.  Ele vai gostar de saber o que acontece por aqui...
Você, como tantos outros meninos do mundo inteiro: africanos, iraquianos, latinos, foram e são violentamente feridos, abusados, invadidos, escravizados, assassinados... Vocês, só meninos...
Eles mataram o seu corpo, mas, não podem matar a sua Alma. Voa para Deus, voa ao encontro da eternidade, da segurança e da paz, e nunca mais se assuste com o clarão das armas, elas não mais lhe atingirão... Agora você está seguro e a única visão de luz que terá será o brilho do próprio Deus, o brilho da luz que não se apaga...
Conte tudo para Deus, e não esqueça de interceder por tantos outros meninos e meninas que continuam chorando, amedrontados, sonhando com um refúgio seguro e com a liberdade, com o direito de brincar, de ir à escola, de serem felizes no seio de suas famílias.
Conte, conte mesmo, conte tudo...
À você, dedico este singelo texto e minhas orações.
(Socorro Melo)



quinta-feira, 8 de outubro de 2015

EMOÇÕES

Estou em processo de desaceleração. Somente agora, depois dos cinquenta anos, tomei consciência do quanto me violentei, do quanto me cobrei, e de como tão pessimamente administrei minhas emoções. Estresse. Estresse. Estresse. Agi assim motivada pelas circunstâncias, pela falta de experiência e talvez até herança genética. Contrariei-me por tão pouca coisa. Quantas descargas emocionais por problemas tão insignificantes e até imaginários! Gostaria de voltar no tempo, e ter oportunidade de refazer o meu caminho, com a bagagem que tenho hoje. Como não posso, tenho me esforçado para dar uma nova dimensão à minha qualidade de vida.
Herdei dos meus antepassados, possivelmente, a inquietude, o temperamento agitado, a impulsividade, o imediatismo.  Quantas vezes me desarmonizei por ninharia. Ansiedade e impaciência sempre foram características marcantes. Nunca soube trabalhar sobre pressão, ou com prazos exíguos, nem assumir várias atividades ao mesmo tempo. Mantinha-me calada, nos momentos de tensão, e lutava contra essa impulsividade sofrendo toda a agressão em silêncio, toda descarga emocional.  Inúmeras vezes fui vítima de estafa, de cansaço mental. E com certeza tudo isso refletiu nos meus relacionamentos, nos mais estreitos, ainda mais.
Certa feita participei de um evento importante que tratou das competências emocionais. O profissional, um psicoterapeuta, fazia uma comparação da nossa constituição psíquica com um jogo de xadrez, onde o EU, era o Rei e o EGO, o cavalo, e pude perceber o quanto na vida fui dominada pelo cavalo.
Sentia-me presa e necessitada de pasto para abastecer o ego. Havia um vazio de sentido e uma angústia velada. Apesar de tudo isso, Deus sempre ocupou um lugar importante na minha vida, eu só não sabia como lidar com Ele. Não sabia alimentar corretamente a minha fé e nem controlar as emoções, nunca soube. Aí veio uma crise. Bendita crise, que me fez refletir sobre muita coisa, e a partir dela tomei atitudes novas e me pus em busca da serenidade e da paz, e consegui.
Depois de um tempo de procura, o encontro. De repente, foi como se uma luz tivesse se acendido dentro de mim. E ela expandiu minha consciência e iluminou recantos que eu nem imaginavam tivessem obscurecidos. Pude me ver sem máscaras. E vi o quanto me enganei na vida, o quanto sou frágil, mas também o quanto amo e valorizo a vida. Procurei avidamente me preencher de Deus e me esvaziar de todo lixo emocional. Dos seus sinais fiz o meu caminho. E tenho buscado essa comunhão todos os dias, caindo e levantando, mas, com objetivo, perseverante, esperançosa, apaixonada. A vida em Deus é uma experiência, e eu me propus a fazê-la, e descobri tanta coisa que o véu da ignorância ocultava. Ele não é algo à parte, inacessível, ele é Presença real e constante. 
Começo a perceber o Rei (o meu eu) no comando da minha vida, insisto nisso, quero isso. Retiro o pasto do cavalo (o meu ego) e vejo-o relinchar de descontentamento, e sinto o quanto é boa a sensação de vencer a mim mesma. Insegurança, vazio, sombra, angústia, medo, tudo vai se dissipando numa sutileza impressionante. E as cores da vida vão surgindo, em nuances, alegres e festivas quando nos harmonizamos e equilibramos as emoções.
A meta a ser perseguida quotidianamente é a paz, na certeza de que “tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus”.  
Por Socorro Melo
  


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

HUMANIDADE




Eu sou livre. Você é livre. Nós somos livres. Somos? Como saber?  Vivemos numa sociedade que dita regras, que dita moda, que massifica, e nós vamos assimilando essa cultura sem se quer nos questionarmos. Parecemos robôs, produzidos em série. Temos aversão ao que é diferente. Copiamos tudo, de todos. Verdadeiras marionetes.

Vamos nos deixando moldar pelas ideologias. Vamos escondendo nossos princípios com medo de sermos ridículos. Vamos deixando de lutar contra o que destrói nossas famílias. Vamos, por comodismo, deixando de reclamar dos abusos, tornando nossas Instituições incompetentes. Vamos apagando a nossa fé. Vamos nos empaturrando de remédios para acalmar ansiedades, insônias e depressões.

Vamos perdendo o respeito pelo próximo, pela vida. Vamos crescendo em orgulho e egoísmo. Vamos nos tornando individualistas. Vamos nos deixando ofuscar pelo brilho do mundo. Vamos nos deixando escravizar pela tecnologia. Vamos criando e adorando ídolos. Vamos achando que somos melhores do que os outros. Vamos deletando Deus de nossas vidas...

E, enquanto isso, usamos máscaras: bonitas, coloridas, alegres. Cada um de nós pode ter várias, para usar conforme a própria conveniência. De máscara nós parecemos bonzinhos. Representamos bem nossos papéis. Fazemos sucesso. Recebemos aplausos.

Por dentro, tantas vezes, estamos em pedaços. Corações cheios de mágoas, de ressentimentos, de raiva, de insatisfação, de fobias... Corações vazios, a dois passos de uma colapso. Mas, por fora, somos sorrisos. Escondemos por trás das máscaras as nossas atitudes mesquinhas, as nossas fraquezas, a nossa impaciência e maldade. E prosseguimos em ritmo de carnaval, demonstrando uma alegria falsa, rodopiando e desfilando nossas fantasias, como verdadeiros papangus.

Que pena! Nós fomos criados para muito mais do que isso. Fomos pensados, amados e dotados para sermos grandes, para sermos autênticos, para sermos homens e mulheres livres. Criados com inteligência para dirigirmos as nossas vidas para o bem e para o amor. Mas, preferimos viver em guerra. Preferimos nos separar. Tudo é motivo de divisão. Alcançamos tantas conquistas, até fomos à lua, entretanto, amargamos nossa decadência moral. 

Envolvidos em tão grandes absurdos, temos destruído nossa felicidade, que só é possível na fraternidade. Temos vivido atrás das grades, com medo uns dos outros. Alimentamos a cultura do prazer, como se ele fosse o objetivo maior. Matamos bebés. Mutilamos crianças. Arrancamos dos jovens a esperança. Abandonamos idosos. Esquecemos que somos efêmeros, e que na próxima curva do caminho podemos encontrar a morte. Ignoramos que haverá um julgamento universal... Deus continua Deus, apesar da nossa loucura e hipocrisia. 

Precisamos arrancar as máscaras  e aprender do próprio Deus a lição da  humildade. Sem Ele nós somos apenas pó e cinza. Caveiras enfeitadas. De que servirá nossa prepotência? A vida maior? Requer esforço. Transformação interior.  Sabedoria. Renúncia. Então, viveremos a vida de Deus... Nada disso é fácil, é cruz, mas não é impossível, pois, “tudo podemos Naquele que nos fortalece”.

(Socorro Melo).

domingo, 27 de setembro de 2015

PIEDADE




Dedico este post ao amigo Luciano que hoje encerrou sua trajetória nesta terra, e à sua mãe, com os meus sinceros sentimentos... Só muda os personagens, a dor é a mesma ...

"Olhei emocionada para a fotografia à minha frente. Era a La Pietá de Michelangelo. Pensei em Nanda, e em Dona Sofia. A Pietá sempre me emociona, pois, o artista soube transmitir com muita originalidade a dor de uma mãe que põe nos braços um filho morto: é uma dor descomunal, uma tristeza ímpar, um desespero sem nome. Tantas vezes já vi fotografias dessa obra, em livros, na rede mundial de computadores, mas, dessa vez foi diferente, pois, a fotografia em minhas mãos, foi tirada por mim. Estive ali, me espremendo no meio de pequena multidão, para ver de perto a obra original de Michelangelo que está exposta na Basílica de São Pedro, no Vaticano. E eu a vi, e me emocionei, pela oportunidade que representou para mim aquele instante. Mas, por que me lembrei de Nanda, e de sua mãe?

Porque um dia eu as vi assim, como na Pietá. Porque as lágrimas de Dona Sofia, o desespero e a dor eram iguais ao da virgem Maria. Porque Nanda jazia morta, num triste caixão à sua frente, e ela não podia fazer mais nada. Porque ela não desgrudava de perto, porque segurava as mãos da filha com tanto carinho, como se pudesse, num passe de mágica, reverter àquela situação, dar-lhe de novo à luz, ou acordar de um terrível pesadelo.

Nanda dedicara-se à mãe, desde que a mesma sofrera um AVC. Praticamente não tinha mais vida própria. Seu mundo era o trabalho, e até mesmo esse, já havia sofrido interferências, e a sua casa, onde em tempo integral cuidava dela.

A família era pequena: apenas ela, a mãe, e mais uma irmã e um irmão, que moravam fora, com suas respectivas famílias. E Nanda vivia apenas com sua mãe, que dela dependia totalmente. Fazia-lhe todos os gostos, tratava-a com carinho, era paciente, e não lhe deixava faltar nada.

Dona Sofia, que era octogenária, vez por outra, tinha fortes crises e precisava ser hospitalizada e Nanda, se afastava do trabalho para acompanhá-la. Nesses momentos, chamava a irmã, para ajudá-la, mas, se a situação não fosse muito grave, nem isso ela fazia. Os amigos advertiam-na, para que não se sobrecarregasse tanto, pois, isso poderia ter conseqüências na sua saúde, mas Nanda, não se preocupava muito com isso. Queria poupar a todos de sofrimentos. E por muitos anos, viveram assim. Ela era bem humorada, apesar de como vivia. E não deixava que a tristeza se apoderasse de sua mãe, sempre tinha uma história engraçada pra contar... E dona Sofia, apesar das limitações, parecia feliz. Nanda era o seu sustentáculo, junto com sua fé.

Até que um dia, o coração de Nanda não agüentou tanta pressão, e ela se foi, de forma súbita, inesperada...

Na manhã daquele dia eu a encontrei, sentada em um banco, aguardando a sua condução para o trabalho. Tudo parecia normal, nada denotava que naquele dia a vida teria um desfecho diferente. Cumprimentamo-nos, sorrimos, e eu prossegui minha caminhada, sem sequer imaginar que aquela seria a ultima vez que eu a veria com vida.

E assim foi. Só mais tarde, quando recebi a notícia da sua morte, refleti sobre tanta coisa, e mais especialmente, sobre a efemeridade da vida. Nanda não existia mais, os seus belos e serenos olhos azuis não se abririam mais, e a sua voz, que proferia palavras firmes e confortantes se calara para sempre.

E ali, na minha frente, a La Pietá ganhou vida. Mudaram-se apenas os personagens: era dona Sofia, que com o semblante carregado de dor, acarinhava sua amada filha, que se despedia para sempre. Seu mundo parecia ter desmoronado, seu sofrimento era incomensurável.

A piedade, retratada na obra genial de Michelangelo, ganha vida todas as vezes, que uma mãe se debruça diante de um filho que se adianta, que se antecede, e que se vai, contrariando o curso natural, a lógica da vida. Como se a vida tivesse lógica...


Por esse, e por tantos outros exemplos, que vi de perto, confirma-se que a vida não tem lógica, nem curso normal, e que a única certeza é a de sermos impermanentes. Vivamos, pois, o agora, que é a nossa garantia, e deixemos na vontade de Deus o futuro que pode existir ou não. E que a La Pietá, o sofrimento alheio, sempre encontre no nosso coração a mais pura compaixão, o mais firme abraço, ou apenas o silêncio, que servirá de alívio, de lenitivo, para o que imaginamos ser a mais cruel de todas as dores do ser humano, perder um filho".

(Socorro Melo)

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

NOVA CHANCE


Ouvia-a dizer: não me arrependo de nada do que fiz na minha vida. Faria tudo de novo, igualzinho. E outras vozes, se uniram à dela em coro, concordando e repetindo a mesma coisa.

Fiquei pasma. Será que eu ouvi bem? Sim, porque não consigo conceber que uma pessoa  se arvore em dizer que não fez nada do que se arrependa. Todos nós fazemos. Uns mais, outros menos.

Errar é bem próprio do ser humano. E onde há erros, falhas, mal entendidos, também há angústias, frustrações, e desamor. E somente à medida que formos aprendendo com as experiências da vida é que vamos nos ajustando, crescendo, e mudando nossas atitudes, consequentemente.

Quando erramos é imprescindível que reconheçamos o nosso erro, mesmo que isso nos traga dor ou constrangimento, e o primeiro passo para a mudança é justamente o arrependimento. Como não se arrepender de nada do que se fez durante uma vida inteira?

Não nos arrependermos do que fizemos, significa que não queremos descer do nosso pedestal, não queremos dá o braço a torcer, em suma, agimos motivados por um orgulho exacerbado.

E o orgulho, nos priva do prazer de sermos pessoas honestas e autênticas conosco mesmas e com as pessoas da nossa interação.

O que motivaria uma pessoa, a se sentir tão segura, a ponto de achar que fez tudo certo na vida? A vida humana é uma sucessão de desencontros. Quantas vezes somos agressivos, impacientes, hostis, egoístas e imprudentes? E quando agimos assim, até mesmo por força das circunstâncias, acabamos ferindo alguém, com nossos gestos e atitudes. E isso não seria um bom motivo de arrependimento?

Será que ao afirmar que faria tudo igualzinho, sem tirar nem pôr, sem arrependimentos, a pessoa não estaria buscando afirmação, ou quem sabe, desafiando os desafetos? E neste caso, não seria melhor aplicar a lição do perdão, e recomeçar?

É lógico que muito do que fizemos, se nos fosse dado uma nova chance de recomeçar, faríamos de novo. Escolheríamos, por exemplo, viver ao lado de uma pessoa que amamos, mesmo conhecendo-lhe os defeitos, pois o importante seria o amor que sentimos por ela.

Poderíamos, quem sabe, exercer uma determinada atividade que exercemos no passado, que nos era prazerosa, mesmo sabendo que não era rentável, mas, o que importaria verdadeiramente, seria o prazer de  fazer o que se gosta.

Se tivéssemos chance, poderíamos morar em um determinado lugar onde já moramos, e que gostamos muito, repetir uma viagem, participar de umas tantas coisas, mas, isto não significaria que tudo deveria ser exatamente igual, pois nada é igual, nunca foi, e jamais será.

E a novidade é importante, pois, há muita coisa que fizemos, no passado, e que nos trouxe tristezas, que já foi suficiente, e que não valeria a pena repetir.

Portanto, o essencial da vida é seguir em frente, sempre em frente, buscando o novo, pois, cada dia nos traz as suas próprias novidades. E nós, os seres humanos, somos ávidos por inovações.

Quando nos for dada uma nova chance, aproveitemos para fazer melhor, para cuidar melhor do nosso interior, dos nossos sentimentos, das nossas aspirações, sempre na expectativa de vivermos em harmonia.

E jamais nos esqueçamos de manter aceso o ânimo, que é o nosso combustível por excelência, e que possamos ter sempre a humildade de saber avaliar e discernir o que precisa ser mudado, e abraçar com ímpeto a diversidade de oportunidades.

Eu me arrependo de muita coisa que fiz no passado, e com muito gosto, procuraria fazer melhor. Sempre.


(Socorro Melo)

sábado, 19 de setembro de 2015

VAMOS BRINCAR COM A CHICA Nº 31?





Iniciativa é fazer acontecer em primeira mão



Esta é a minha partcipação na brincadeira da Chica. Para conhecer a Chica e os outros participantes acesse
http://sementesdiarias.blogspot.com.br

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

MEDITAÇÃO



Num ambiente tranquilo, na penumbra, sentada, em profunda quietude, com olhos suavemente fechados, coluna alongada, mãos sobre as pernas, pés ligeiramente afastados, vou buscando o silêncio interior. O ideal é que se faça silêncio exteriormente, mas, mesmo que não aconteça, ou que o mesmo seja rasgado por alguns instantes, o grande desafio é permanecer atenta, serena, concentrada, em busca desse encontro com Deus e comigo mesma, no mais profundo do meu ser. E o nome de Jesus é a minha âncora, o meu mantra. A ele dedico toda a minha atenção. E assim eu fico, por no mínimo vinte minutos, todos os dias, manhã e noite. É o meu caminho de silêncio. É a meditação cristã. Antes, invoco a presença do Espírito Santo para fazer comigo esse caminho, para me ajudar a repousar nos braços do Pai, e pronunciar pelo Espírito, o santo nome de Jesus, o Filho. É um momento de adoração. Um momento sagrado. A meditação é uma forma de oração. Nela não entoamos louvores, nem agradecimentos, nem fazemos petições ou intercessões, nela nos abandonamos nos braços de Deus, e nos calamos, para que Ele nos fale ao coração. Comprovadamente, a meditação traz inúmeros benefícios, e não é praticada somente pelos religiosos, mas, por quem deseja fazer a experiência do recolhimento. A mim parecia algo bizarro, até conhecer. Aprendi que para trilhar por este caminho é necessário conviver bem com as distrações, pois, elas são eternas companheiras , que vão diminuindo à medida que vamos crescendo. Não avalio as dificuldades de concentração, de alguns momentos, pois, elas fazem parte do processo de aprendizagem. Não medito visando receber benefícios, medito por que amo a Deus, e essa é uma experiência que me aproxima Dele, vez que creio que Ele habita o meu interior. Porém, nesse curto período de caminhada, já percebo as mudanças que considero frutos da minha experiência: estou mais harmonizada  mais firme na fé, mais serena, menos impaciente e menos medrosa. Já consigo me confrontar com as minhas fragilidades sem me atormentar e procuro semear boas sementes nesse canteiro interior. E agradeço a Deus por este caminho espiritual, e por ter conhecido a Escola Franciscana de Meditação, que me mostrou essa riqueza, essa pérola preciosa que é a oração de meditação, com a qual eu me identifiquei grandemente. (Socorro Melo).
“ Se a felicidade tivesse um som, seria o silêncio” Benjamim Taubkin, músico.


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

ANOS DOURADOS...



Anos dourados...

Nós, mulheres desta foto, temos, ao menos, duas coisas em comum: somos amigas da aniversariante, e somos cinquentinhas... Vivemos os anos dourados.
Dourados porque comemoramos recentemente, cada uma a seu tempo, o nosso jubileu de ouro.
Eu, particularmente, não tive o prazer de festejar em grande estilo os meus 50 anos, pois, na época passava por um período de cuidados com a saúde.

E fico pensando, cá com meus botões: são mesmo anos dourados?

Estou na esquina do tempo nº 50, como bem definia uma saudosa amiga e escritora, a Glorinha Leão, autora de um livro com este título.

O que me proporciona esse tempo? O que vejo nessa esquina? O encerramento da carreira profissional, o envelhecimento dos pais, a saída do filho de casa, e as sutis mudanças biológicas inerentes à idade... Todavia, não só.

Penso num tempo de liberdade. Um tempo em que eu tenha disponibilidade para cuidar melhor de mim, para viver sem correrias, para me libertar, um pouco, do jugo do relógio.
Confesso que até amadurecer a ideia de aposentaria, tive medo. Medo de me desligar do universo do trabalho, da rotina de todos os dias, das novidades desse universo, e do companheirismo. Tive medo das perdas financeiras. 

Houve uma luta dentro de mim. Mas, aos poucos eu fui confrontando os pós e os contras, ponderei, rezei, aceitei e decidi: vou me aposentar em breve, e estou encarando com naturalidade essa ideia sabendo que estou diante de uma fase da minha vida que se encerra, porém, de outra que se inicia.

E pretendo viver meus anos dourados com muito ânimo e dinamismo. E tenho para eles alguns pequenos projetos. Construí a minha vida dentro dos meus princípios, dos meus valores, daquilo em que sempre acreditei. Errei muito, mas, acertei, por vezes. Aspirei tantas coisas, me lancei em tantas oportunidades, repensei tanto minhas escolhas, caí e levantei, mas, estou de pé e sou consciente de que a vitória é isso.

Quero, neste novo caminho, ter um olhar diferente para a vida. Quero fazer valer cada minuto.  Quero me tornar uma pessoa melhor, mais humana, e quero agradar, acima de tudo, a Deus. (Socorro Melo)


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

ESPERANÇA


A vida é fatal. É incurável. Começamos a morrer no dia em que nascemos. As perdas são sucessivas, rotineiras... Curioso é que mesmo sabendo que avanço para a morte, alguma coisa me impulsiona a seguir. Há uma pressa de chegar. E de chegar onde? Como? Se a única certeza palpável é mesmo a morte. Não importa, mesmo me sabendo condenada, o amor à vida me torna imortal. É algo inexplicável. Percebo que existe uma dinâmica interior, irrefreável, uma certeza de que além do abismo existe algo maior, algo que me sussurra que devo confiar, que me aponta caminhos, que me diz não estar louca, que desafia a natureza. E assim eu vou me deixando levar, por essa voz tão clara e tão convincente, de que a morte não é o fim, mas, o processo de gestação para uma vida maior, que desconheço, mas, anseio por dela participar. Coincidentemente, depois de escrever este pequeno texto,  encontrei esse pensamento abaixo, de São Bráulio, que se assemelha ao que pretendi expressar. (Socorro Melo)

"O tempo foge insensivelmente, a morte aproxima-se em segredo, e a nossa cega esperança não vê senão as alegrias da vida. Felizes aqueles cuja a alegria é Deus, e cujo gozo repousa na futura bem-aventurança!"  São Bráulio de Saragoça.