Participação na VI Interação Fraterna de Natal - Tema: O numinoso em mim, promovido pela amiga Rosélia do Blog http://www.idade-espiritual.com.br/
Um tema rico de conteúdos, de experiências, que podem ser apreciadas nos Blogs participantes. Muito grata, Rosélia, pelo convite. Espero que minha humilde participação tenha atendido a proposta da BC.
O NUMINOSO EM MIM
A percepção do sagrado despertou em mim muito cedo.
Sempre gostei de silêncio, e de quietude. Sempre me chamou a atenção situações
simples que talvez para a maioria das pessoas não tivesse valor algum, mas que
para mim diziam alguma coisa. Gostava de ficar horas fitando as estrelas, e
imaginando o que haveria por trás delas, porque, uma voz interior me dizia que
havia Alguém maior para além delas...
Fui crescendo com essa certeza. Era de dentro de mim
que ela brotava. Eu não tive influência nenhuma. Pensava muito. Questionava
muito. Não encontrava respostas.
Participava da santa Missa com respeito, com
reverência, mas sem consciência do quanto era sublime. Por muito tempo foi
assim. Mas eu sentia que faltava algo, não poderia ser somente aquilo que eu
via, tudo era muito ritual.
E daí começou a minha busca de Deus. Eu não queria
crer que Deus se manifestara apenas aos homens do passado, da antiga aliança.
Ele não poderia ter abandonado a humanidade, por certo Ele se manifestaria de
alguma forma, no nosso tempo. Eu aprendi que vivemos o tempo do Espírito Santo,
e que Ele é o doador dos dons, e porque eu não via nada? Nada acontecia, era
tudo tão ritual.
A fome e a sede de Deus aumentavam. A vontade de
conhecê-lo ainda mais. E daí fui devorando livros. E mais livros. A princípio
sem uma meta definida, porém, depois mais selecionados. Nunca tive nenhuma
direção espiritual. Mas, mesmo assim fui despertando para a mística. E na busca desse conhecimento fui assimilando respostas para tantas de minhas perguntas.
Li sobre todas, ou quase todas as principais religiões
do mundo. Até participei, por curiosidade, acima de tudo, de cultos de outros
credos diferentes do meu, e até simpatizei com alguns deles, mas, nunca senti
vontade de mudar de religião, eu só queria encontrar as respostas dentro
daquela que sempre professei. E assim aconteceu.
Por um tempo me descuidei da fé. Mas, mesmo
nesse tempo percebia a presença de Deus me conduzindo. E num momento de grande
angústia, de vazio profundo, de desesperança, eu encontrei Deus. Quando eu já
não sabia como agir na minha vida. Quando a tristeza tomava conta de mim. Do
meu vazio eu clamei a Deus, e Ele só precisava disso para me preencher.
Do nada me apareceu a oportunidade de fazer uma
peregrinação, e eu a abracei com todas as minhas forças. Foi o jeito mais terno
e suave que já vi de um Pai reconduzir um filho de volta para casa, um filho
que merecia talvez uns bons puxões de orelhas.
A peregrinação foi uma bênção, uma unção. Derramei
diante de Nossa Senhora de Fátima, lá em Fátima, a minha pequenez, a minha
ignorância, a minha insegurança, e pedi que me ajudasse a fazer a experiência de Deus, depois, lá em
Assis, pedi a são Francisco que me ajudasse a abrir os olhos da fé, e ele me
ajudou. Firmei propósitos de mudança. Ao retornar, conheci a espiritualidade
franciscana, o que muito ajudou na minha conversão.
Sim, porque apesar de ser participante da Igreja eu
ainda não era convertida, eu não tinha despertado para a grandeza da
espiritualidade. Apesar do movimento íntimo do meu ser, da minha busca constante,
nada era ainda claro, eu não enxergava o outro lado.
Após a peregrinação comecei a colocar alguns pontos
nos “is”. Comecei a estruturar minha vida para se adaptar à mudança que eu
pretendia fazer na minha rotina. Procurei caminhos que me levassem ao
crescimento espiritual, e me lancei com fé e esperança nesses caminhos.
Um dos caminhos que eu encontrei foi a meditação
cristã, oração contemplativa, com a qual eu me identifiquei plenamente. Outro caminho foi a Lectio
Divina, e um terceiro muito rico: a vida dos santos, especialmente os grandes
místicos da igreja (S. Teresa de Ávila, S. João da Cruz, S. Pedro de Alcântara,
S. Gemma Galgani, S. Verônica Giuliani, S. Pe.Pio) porque é neles que eu
encontro mais fortemente os sinais da presença de Deus no meio de nós.
A meditação me ensinou a buscar Deus dentro de mim
mesma, pois, o meu coração é a sua morada, eu sou templo do Espírito Santo. Despertou-me para realidades até
então desconhecidas, para o auto conhecimento. E assim, convicta agora dessa
realidade espiritual que já começo gozar pela fé, entre quedas e avanços, vou
fazendo a minha história com Deus, em Jesus, Ele que é a minha luz, a minha
razão de ser, e a minha meta.
E assim passei a entender a parábola da pedra preciosa escondida no campo... E hoje faço a experiência de viver com Deus. Não existe maior conforto.
(Socorro Melo)
Desejo a todos os leitores um feliz e abençoado Natal!