Durante nove dias, antes do Natal, visitamos lares de nossa comunidade católica, que se reúne para se preparar para a grande festa do Natal do Senhor. Sim, porque o Natal é uma festa cristã. As famílias que nos recebem, o fazem com grande alegria. Há casas que são tão pequenas que algumas pessoas ficam do lado de fora, mas, há uma comunhão tão bonita. Daí, refletimos sobre o tema do dia, sobre nossa espiritualidade, sobre o evangelho de Jesus Cristo, sobre a vida em comunidade. Oramos, intercedemos, cantamos, refletimos. Estreitamos laços com essas famílias. Partilhamos vida. Vivemos na busca de Deus. Reconhecemos nossas limitações, fraquezas, mas também a misericordiosa presença de Deus, manifestada nas pequenas coisas. É tudo tão simples. Tão singelo.
Não tenho mais tempo nem paciência para as badalações. Até porque isso nunca fez parte da minha vida. Apesar da beleza das ornamentações, das luzes, das confraternizações, dos presentes, da ceia de natal, acho tudo isso despropositado. O natal perdeu a sua essência.
A grande novidade do natal é a boa, porque não dizer a maior, notícia de todos os tempos, o anúncio da redenção do homem por Deus. No entanto,ninguém quer saber disso. Quem se importa com isso? Quem precisa de Deus?
E a humanidade vai seguindo, crente de que pode prescindir Dele. O brilho do orgulho e da vaidade ofusca toda graça. O egoísmo e o individualismo vão dilacerando as almas. A hipocrisia vai escurecendo corações.
O que se vê, nesse mundo tão absurdamente amado pelo homem, que é capaz de ignorar Deus? Desarmonia. Corrupção. Instabilidade. Conflitos. Terrorismo. Perseguição. Guerra. Violência. Desrespeito. Destruição. Desespero. Morte. Este é o mundo criado pelos homens. E vai melhorar? Do jeito que a coisa anda, não creio.
Deus é fidelíssimo, é cortês, é educado, jamais entrará sem permissão na história de vida de quem quer que seja. Deu-nos liberdade e respeita nossas escolhas. Mas, chegará um dia em que devemos prestar contas. Se queremos fazer parte do seu mundo, da sua vida, devemos endireitar nossos caminhos, devemos construir a nossa árvore de natal com adornos diferenciados.
Eu pretendo enfeitar minha árvore, a qual devo fixar no meu coração, com coisas que agradem a Deus. Pretendo ser menos chata, mais altruísta, menos ignorante... Pretendo ser mais sábia, mais generosa, mais serena, menos orgulhosa, menos vaidosa, e extirpar qualquer sombra de hipocrisia... Pretendo ser mais misericordiosa e me esforçar por aprender amar sempre e cada vez mais, reconhecendo as minhas fraquezas e compreendendo a fraqueza do meu próximo. Será fácil? De jeito nenhum. Então,por que o Mestre disse que o seu jugo era suave e o seu fardo leve? Porque quando nos propomos a andar com Ele, nossas forças são redobradas e o peso se torna pluma. Isso é graça.
Pra dizer que estou cheia desse Natal do Comércio, da hipocrisia reinante das muitas confraternizações, das Campanhas forçadas para ajudar pessoas e Entidades. Há muita falsidade no ar.
O que mais me incomoda é a falta de amor a Deus. São Francisco de Assis chorou essa desgraça. Dizia ele: O AMOR NÃO É AMADO.
Natal é tempo de mudança interior. Tempo de buscar a Deus e deixar se encontrar.
Desejo a todos um feliz, abençoado e verdadeiro Natal!
Socorro Melo
Participando com Rosélia Bezerra da VII Interação Fraterna de Natal2016, http://www.idade-espiritual.com.br/




