Pegadas de Jesus

Pegadas de Jesus

segunda-feira, 24 de abril de 2017

CONTO: O ÚLTIMO DIA - PARTE 2


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Vez por outra divagava, e ficava pensando em como gostaria de ter estudado, de ter se profissionalizado, mas, lhe faltaram oportunidades. Era alfabetizado. Lia razoavelmente bem, porém, tinha grande dificuldade para escrever.
O burburinho e o barulho dos caminhões, à entrada da Distribuidora, arrancaram Alfredo de seu devaneio. Encostou o carro no estacionamento, e olhando para o cenário com antecipada saudade, se encaminhou até o Setor de Transportes, para receber as instruções do dia.
Curiosamente pensou no que Luísa falara, no mau pressentimento, e sentiu um arrepio, uma sensação desconfortável, e automaticamente puxou a medalhinha de Nossa Senhora de Aparecida, que carregava pendurada ao pescoço, beijou-a, e em pensamentos, pediu proteção.
Ao entrar na sala, teve uma emocionante surpresa. Os colegas de trabalho prepararam-lhe uma festa de despedida, e o acolheram com gritos e palmas, além das piadinhas costumeiras, que tornavam aquele ambiente tão agradável.
Todos o abraçaram, desejaram votos de felicidade e prosperidade, trocaram endereços e telefones, fizeram promessas de visitações, lembraram fatos antigos, riram das coisas engraçadas, falaram com respeito das coisas sérias, e despediram-se.
Alfredo agradeceu a todos, e saiu com lágrimas nos olhos. - eu hoje estou frouxo – pensou e sorriu.
Portando na mão a Nota Fiscal, dos produtos que iria fazer entrega durante o dia, o seu último dia, saiu em direção ao caminhão em que trabalhava.
Antes de entrar na cabine, deu umas palmadinhas na porta, como se estivesse se despedindo do seu velho companheiro de jornada.


domingo, 23 de abril de 2017

CONTO: O ÚLTIMO DIA - PARTE 1

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Quando Alfredo chegou ao limiar da porta, Luísa se aproximou, e com a voz entrecortada, demonstrando certo nervosismo, falou:
- Não me sinto bem. Tive pesadelos esta noite. Estou com o coração apertado, um mau pressentimento... Por favor, Alfredo, tenha cuidado.
Alfredo voltou-se, olhou para Luísa negligentemente, e disse:
- Não se preocupe, não vai acontecer nada. Vá descansar, pois, você não dormiu bem, e por isso está ansiosa.
Saiu, puxando a porta, e dirigiu-se para o carro, que estava estacionado à frente de sua casa. Já era quase sete horas da manhã, e teria que cruzar toda zona Norte em direção ao Leste, onde se situava a empresa que trabalhava.
Estava bastante eufórico, tendo em vista que seria seu último dia de trabalho na Distribuidora. Sabia que sentiria falta dos colegas, dos companheiros, como costumava chamá-los, mas, já cumprira seu tempo, e agora planejava dar um novo rumo à sua vida, fazer coisas que nunca fizera; viver da forma que sempre sonhara, ou simplesmente descansar.
Alfredo Correia era o seu nome. Viera do Nordeste, do sertão pernambucano, trazido por uma seca brava que assolara a região, há 37 anos. Contava dezoito anos quando chegou a São Paulo, fugindo da fome, como tantos outros conterrâneos seus.
No início foi difícil, quase impossível, a adaptação. Sentira muita falta de sua terra, de sua gente, e foi acometido do mal de banzo. Era muito jovem, sem nenhuma experiência de vida, ou profissional, e tudo contribuíra para aumentar sua desventura.

Morou em favelas, passou fome, foi estivador, trabalhou em atividades insalubres, perigosas, mas, se sentia recompensado quando, a cada fim de mês, mandava uns trocados para a família, que ficara no Nordeste, e que dependia basicamente do que ele mandava, para sobreviver.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

OS DOIS SERÃO UMA SÓ CARNE


Arquivo pessoal


«Os dois serão uma só carne»



«Façamos o homem à nossa imagem e semelhança», disse Deus (Gn 1,26). Uma simples ordem fez surgir os outros seres da criação: «Haja luz», ou «Haja um firmamento». Desta vez, porém, Deus não disse: «Haja o homem», mas: «Façamos o homem» Com efeito, achou conveniente dar forma com as suas próprias mãos a esta imagem de Si próprio, superior a todas as outras criaturas. Esta obra era-Lhe particularmente próxima; Ele tinha-lhe um grande amor. [...] Adão é a imagem de Deus porque traz a efígie do Filho único. [...] 


De certo modo, Adão foi criado simultaneamente singelo e duplo: Eva encontrava-se escondida nele. Antes mesmo de eles existirem, a humanidade estava destinada ao casamento, que os levaria, homem e mulher, a um só corpo, como no início. Nenhuma querela, nenhuma discórdia, se devia levantar entre eles. Teriam um mesmo pensamento, uma mesma vontade. [...] O Senhor formou Adão do pó e da água; quanto a Eva, tirou-a da carne, dos ossos e do sangue de Adão (Gn 2,21). O profundo sono do primeiro homem antecipa os mistérios da crucifixão. A abertura do lado era o golpe de lança sofrido pelo Filho único; o sono, a morte na cruz; o sangue e a água, a fecundidade do batismo (Jo 19,34). [...] Mas a água e o sangue que correram do lado do Salvador são a origem do mundo do Espírito. [...] 


Adão não sofreu com a amputação feita na sua carne; o que lhe foi subtraído foi-lhe restituído, transfigurado pela beleza. O sopro do vento, o murmúrio das árvores, o canto dos pássaros chamava os noivos: «Levantai-vos, já dormistes o suficiente! A festa nupcial espera-vos!» [...] Adão viu Eva a seu lado, aquela que era a sua carne e os seus ossos, sua filha, sua irmã, sua esposa. Levantaram-se os dois, envoltos numa veste de luz, no dia que lhes sorria: estavam no Paraíso.


São Tiago de Sarug (c. 449-521), monge e bispo sírio 
Homília sobre o sexto dia

quinta-feira, 6 de abril de 2017

NO FIM, TUDO É APRENDIZADO



Os contratempos, as contrariedades, os acidentes e tragédias, entram em nossas rotinas como um trovão que invade o silêncio com barulho cortante. A rotina é sagrada, e quantas vezes olvidamos disso.

E foi assim, quando ela sofreu um acidente doméstico. Quebrou o fêmur e precisou submeter-se a uma cirurgia. Foram dias e horas de espera, até que acontecesse. Quando se é idoso tudo é mais difícil, a debilidade é maior. As circunstâncias foram nos conduzindo. Houve ansiedade, preocupação, cuidados.

Enfim, chegou o dia, e com ele o medo, mas, muito mais esperança. Deu tudo certo. Aí se abriu um novo caminho, o da recuperação.



Novos desafios. Providências e circunstâncias que nos fizeram crescer, aprender, sair do nosso comodismo, da nossa vidinha organizada, tranquila, para nos deparar com o diferente, com o incômodo,  com o incerto e imprevisto.

E a gente acaba se adaptando. E vai mudando a rotina e se conectando com as necessidades.
Toda ruptura deixa marcas, faz estragos na vida da gente. Por outro lado nos faz entender o que muitas vezes é óbvio. O mais surpreendente é descobrir a força que temos quando amamos, do que somos capazes de fazer e realizar, quando numa outra situação, poderia ser impensável.



Somos capazes de ir além das nossas forças, por amor. Felizmente, chega o momento em que as águas revoltas serenam, e a nossa mente e o nosso coração também. Quando a natureza vai seguindo o caminho traçado pelo Criador, e vai refazendo a vida, costurando, bordando, plasmando, até que respiramos aliviados e pensamos: vai dar tudo certo, eu creio. E aí deixamos Deus ser Deus, para agir conforme a sua vontade. O resultado, mesmo quando não entendemos, é sempre o  melhor e o mais justo. Afinal, Ele escreve certo por linhas tortas, diz o dito popular.



Graças a Deus por tudo, e por todos, que conosco partilharam desses dias inquietantes.


Por Socorro Melo

sábado, 1 de abril de 2017

DEUS, HISTÓRIAS DE REVELAÇÃO DIVINA



DEUS estava lá na prateleira, recuado, e me atraiu a si, e lá fui eu, sem nenhuma pretensão, apenas alimentar a minha curiosidade. Bati os olhos, e me apaixonei. Quis levá-lo comigo, mesmo que naquele momento não estivesse nos meus planos.

Deepak Chopra, o autor. Um grande e respeitado escritor, indiano. DEUS, de Deepak Chopra. Dez histórias de revelação divina ao homem. Senti que era um presente, um raio de luz.

Sou cristã católica. Sempre fui. E conheço a história da Igreja: uma história feita por homens,  bons e maus, que a cada tempo da história deixaram as suas marcas. Todavia, apesar de tudo, reconheço que essa história foi conduzida por Deus.

No entanto, sempre tive o entendimento de que Deus não é propriedade particular de nenhuma religião, que Ele é universal, que não se amolda à vontade ou a critérios humanos.Que a cada ser humano, dentro de sua realidade de vida, de sua cultura, de seu espaço geográfico, foi e é dado o conhecimento e a iluminação conforme a determinação do Criador, dentro de uma magnífica diversidade.

E aí DEUS, de Deepak Chopra, vem trazer de forma bela e poética essa luz que me deixou  uma doçura e um enlevo na alma.

O mesmo jeito de ver Deus, mas, com lentes mais ampliadas. Um novo olhar ou um novo ângulo, um novo sabor, a mesma certeza.

Deus, em tudo e em todos, assim como dizia São Paulo. Deus, que é amor infinito. Deus a quem buscamos cotidianamente, e que parece se esconder de nós, que sempre estar à nossa frente, e que só o alcançaremos no fim da estrada, quando ultrapassarmos a linha divisória entre o tempo e a eternidade.

Meu maior e mais belo tesouro, minha fé. Não consigo me imaginar vivendo a superficialidade. É a interioridade que dá sentido à minha vida, e é a espiritualidade o caminho que me mantém firme nessa busca.

Leia você também, DEUS, de Deepak Chopra, e se surpreenda com a delícia que é conhecer as muitas e misteriosas faces de Deus.

Por Socorro Melo


quarta-feira, 29 de março de 2017

EU SÓ QUERIA CONVERSAR...




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Sinto falta de alguém pra conversar...

Conversar sobre tantas coisas...

Sobre a vida, e mesmo a morte!
Sobre as flores e os jardins
Sobre a lua e as estrelas
Sobre a dor, o sofrimento, e o amor...

Eu só queria conversar...

E deixar fluir meu sentimento
De ternura,
De paz,
De indignação,
De justiça,

Eu só queria conversar...

Conversar, e sorrir!
Até mesmo gargalhar
Lembrar de coisas passadas
Fatos antigos
Saborear a saudade
De momentos que não voltam mais

Eu só queria conversar...

E sentir a cumplicidade
Nos olhos que me olhassem
E ouvir palavras amenas
Que sossegassem meu coração
E me envolvessem num aconchego
De ternura e suavidade
Pra que não me sentisse tão só

Eu só queria conversar...

Quem sabe até pra chorar
E deixar cair com as lágrimas
O meu grande pesar
Aquilo que me incomoda
Que me faz tanto mal
E ouvir palavras doces
De esperança e de fé
E me sentir protegida
Segura e amada...


Por Socorro Melo

quarta-feira, 22 de março de 2017

FELIZ ANIVERSÁRIO, BLOGUITO!

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Sempre  achei fascinante a Arqueologia. Na verdade, os achados arqueológicos, pois, eles contam a história da humanidade.

Penso que ser arqueólogo demanda muita imaginação. Fico pensando em como eles montam o quebra-cabeças a partir de objetos tão pequenos, às vezes insignificantes para nós, leigos.

Mas, entendo que não há como a escrita para elucidar a história.

Pensando nisso lembrei-me de alguns filmes que vi quando criança, sobre escritos achados dentro de garrafas boiando nas águas. Eu achava aquilo fantástico. Sempre sonhei em um dia encontrar uma garrafa, com uma mensagem de grande importância para a humanidade, e nem sei como, pois, moro a quilômetros do mar.

Um dia  fizemos na Escola uma tarefa em que consistia em escrever uma mensagem, que seria enterrada num determinado lugar, para que fosse encontrada por outras crianças, talvez dali a cinquenta anos. Estas mensagens iriam dar as futuras crianças uma noção de como vivíamos em nosso tempo. Não me lembro mais qual a Escola e muito menos onde foi escondido o baú com as mensagens.

Bem, estava pensando… A Internet é um grande tubo, recheado de mensagens e de informações… Quase todo mundo tem seu espaço na Rede. O que postamos fica registrado.

Façamos de conta que a Rede é uma grande garrafa, onde todos nós podemos deixar nossos recados para o futuro. Alguém vai ler e vai conhecer nossa história, e um pouco de nossa personalidade, dependendo do que escrevamos.

Tudo isso pra dizer que hoje é 22 de março, aniversário do meu querido bloguito. É, parece bom, o bloguito pode ser a minha garrafa, onde vou deixar uma singela mensagem pro mundo, escondida dentro do tubo-Rede.

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São sete anos de atividade. Nele registrei momentos de grande emoção, de expectativas, de humor, de poesia, de frustração, de ganhos e de perdas. Interagi, sonhei, escrevi, escrevi, escrevi…

Ele é tão simples. Nada tem de extraordinário. Nada que chame a atenção. Nenhuma matéria bombástica, mas, é meu fiel escudeiro.

Se alguém aparece por cá, é muito bem vindo. Tem sempre uma mensagem de quem sonhou e sonha muito na vida, que é agradecida, feliz, e que teve oportunidade de amar. Alguém que escreveu com o coração, que se emocionou com uma canção, que apreciou a natureza, contemplou as estrelas, e vive numa busca constante de Deus, eu.

O bloguito é o passatempo favorito, é o lugar das escrivinhações, de brincar de poesia, de conectar com o mundo, passando sempre a ideia da beleza e da nobreza de sentimentos e de valores.

Sete anos! Parabéns a nós bloguito! E plagiando uma amiga blogueira, a Elvira, digo sem sombra de dúvidas: você pretende ser um espelho de mim mesma!

Obrigada leitores, amigos e seguidores, por esta gostosa parceria. Hoje é dia de festa, vamos cortar o bolo, tomar o champanhe e comemorar, pois, muitas águas ainda vão rolar por aqui, se Deus quiser. E num dia qualquer do futuro, alguém vai achar a garrafinha e vai se espantar que tenha existido alguém que amasse  a vida tanto quanto eu.

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Um jeito meio louco de comemorar aniversário, rsrsrs


Por Socorro Melo

terça-feira, 21 de março de 2017

DIA INTERNACIONAL DA POESIA




MENSAGEIRA





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Sentada ficava a dócil menina, ao redor da mesa,
Nem mesmo falava, apenas sorria, com singeleza,
Com mão muito firme, olhar bem atento, as linhas traçava...
E em derredor, quieto e feliz, o senhor aguardava.

Às vezes, a menina parava a mãozinha pra questionar,
Que mais o senhor, naquela cartinha, queria informar...
Num belo sorriso, de dentes tão brancos, quanto a sua alma,
Tecia um rosário e se repetia, mas com muita calma.

A menina acenava e a tudo acolhia com atenção,
E traçava as letrinhas, apondo as notícias, com emoção...
Os casos contados, recados passados, e tantas lembranças...
As dores, promessas, saudades, problemas e...  Esperanças! 

Da gente querida, da casa singela, de telha de barro, e chaminé...

Ficaram as lembranças. E uma bem preciosa é a do aroma do puro café!

Por Socorro Melo

Parabéns a todos os poetas, que têm o dom de trazer à vida a beleza, a nostalgia, a humanidade e a esperança!

quinta-feira, 16 de março de 2017

NEBLINA EM FIM DE TARDE



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Aprecio fins de tardes. Eles exercem um poder sobre minha sensibilidade. Deleito-me com o belo que deles advém.  Hoje vivi uma tarde inesquecível, digna de nota. Não porque tenha sido soberba ou extraordinária, mas , porque foi simples e encantadora.

Éramos doze, e íamos conhecer um lugar especial, fruto de um projeto sonhado junto.

Vivenciamos uma manhã produtiva, compartilhada,  e agora deslizávamos pista à fora rumo ao nosso cantinho.
Adentramos por uma estradinha de terra, e enquanto avançávamos, nuvens de chuva mudavam as características do tempo.

Em poucos instantes caía uma chuva fina.

A estrada era ladeada por cercas de madeira com arame farpado, e de um lado e outro víamos os rebanhos pastando e o mugido dos animais. O verde já coloria parte da vegetação, atingida severamente pelos sete anos de seca na região.

Avistamos ipês amarelos,  jasmins brancos, flamboiãs, e outras espécies de flores silvestres que íam ficando para trás enquanto seguíamos nosso caminho. A névoa nos envolvia cada vez mais.

Passamos pelo Riacho do Mel, subimos a Serra do Sapato, até finalmente desembocarmos em Várzea Grande, nosso destino. Ficávamos imaginando, e tentando adivinhar, o porquê do nome de cada um desses sítios.

De um lugar alto, tínhamos a visão geral do terreno que fomos visitar. Era amplo e acidentado e enriquecido por grandes árvores, algumas frondosas. Víamos cajueiros, umbuzeiros, e mais algumas que não saberia nominar.

A chuva se intensificou, o que não nos desestimulou. Percorremos o imenso terreno com alegria e espírito de aventura, sem nos importar com a lama, com o frio, ou o que quer que fosse. Sonhávamos juntos com o nosso projeto, e apontamos para cada direção em que imaginamos devam ser construídos os futuros prédios.

O silêncio era a riqueza daquele lugar, só quebrado pelas nossas próprias vozes, ou pelas vozes da natureza. A chuva cessou, porém a neblina se intensificou.

No caminho de volta víamos apenas as sombras das árvores, dos animais, e das casas. Tudo estava coberto de branco. Uma chuva fininha se fazia ouvir, de forma harmoniosa, numa cadência mais que perfeita. Era uma visão mágica. Um quadro pintado pelo Criador. Um mimo  para os nossos olhos. Um fim de tarde que  Deus nos concedeu a graça de apreciar o belo, o inestimável. Um fim de tarde envolto em neblina.

Por Socorro Melo, 12 mar 2017


quinta-feira, 2 de março de 2017

BAMBOLÊ

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Eu olhava admirada as minhas amigas brincando de bambolê, e sentia uma certa inveja, porque eu, de todas, era a única que não conseguia girar o bambolê em volta do corpo, com aquela desenvoltura e graciosidade.  Não levava o menor jeito. Não tinha ginga. Não tinha jogo de cintura.

Tentava, tentava, mas, era um tanto desengonçada, diria mesmo que parecia uma estaca, e o bambolê em minhas mãos perdia toda graça, todo encanto.

Nunca consegui, nem mesmo quando adulta, na Academia.

No entanto, fui aos poucos desenvolvendo um outro tipo de jogo de cintura, uma outra ginga, que me fez vencer muitos obstáculos, superar muitas situações estressantes e constrangedoras, um jeito todo especial de lidar com as pessoas.

Pessoas são diferentes. Cada uma é um mundo, apesar de terem todas muito em comum. Esta foi a minha melhor sacada. Inconscientemente comecei a estudar cada tipo, cada comportamento, cada reação, e assim pude desenvolver uma  maneira toda especial de tratar a todas e a cada uma.

Pessoas são únicas na sua essência. E não gostam de ser apenas “uma na multidão”. Gostam de serem identificadas, valorizadas, reconhecidas, dignificadas.

Saber chegar até elas, lapidá-las, compreendê-las, exige tempo e paciência. Umas são dóceis, escancaradas, leves, outras são como ostras, fechadas, mas guardam pérolas dentro de si, outras são atraentes, chamativas, algumas amargas, chatas, superficiais, enfim.

O meu laboratório mais rico foi o ambiente de trabalho. Aliás, os vários ambientes de trabalho. Pessoas de toda sorte chegavam por lá. Era uma diversidade surpreendente de tipos. Relacionei-me com um incontável número, direta e/ou indiretamente.

O quotidiano me ensinou a pisar em cada terreno sem medo. Por vezes fui incompreendida, mas, na grande maioria bem acolhida. Uns passaram como um vento, sem deixar marcas nem lembranças, outras guardo no coração com ternura e gratidão. No entanto, todas, construímos algo juntos.

Resumindo, para acolher pessoas, é necessário conhecer suas individualidades, suas características, suas habilidades, seus pontos fracos e seus pontos fortes, ou simplesmente enaltecê-las.

Não retrucar sem fortes argumentos.Saber calar. Acatar as ideias. Saber convencer. Elogiar. Aconselhar. Apontar erros sem humilhar. Dividir tarefas. Sabe ouvir. Perdoar ofensas. Ser solidário nas situações mais críticas. Prezar pela arte da boa convivência. Para isso precisa-se de ginga, de jogo de cintura.

Penso que fui um pouco bambolê na minha vida profissional, e acho que esse foi o principal papel de toda minha jornada, pois, angariei muitos e bons amigos. 

Por Socorro Melo