sexta-feira, 19 de agosto de 2011

ZÉ LIMEIRA - O POETA DO ABSURDO. É SURREAL!



Imagem do Google


Zé Limeira (Teixeira, 1886 — 1954) foi o cordelista/repentista mais mitológico do Brasil. Era conhecido como Poeta do Absurdo. Nasceu no sitio Tauá, em Teixeira, cidade da Paraíba que foi o principal reduto de repentistas no século XIX.

Os temas que abordava em suas poesias e repentes eram variados e chegavam, muitas vezes, ao delírio. Pornografia era um tema recorrente, mas Zé Limeira ficou conhecido como "Poeta do Absurdo" por suas distorções históricas, poesias recheadas de surrealismo e nonsense, e pelos neologismos esdrúxulos que criava.

Vestia-se de forma berrante, com enormes óculos escuros e anéis em todos os dedos, e saía pelos caminhos de sua vida, cantando e versando.

Fonte: Wikipédia

Os vultos históricos perambulavam pelo sertão imaginário de Limeira, despidos de qualquer honraria ou reverencia.

Napoleão era um
Bom capitão de navio
Sofria de tosse braba
No tempo que era sadio,
Foi poeta e demagogo
Numa coivara de fogo
Morreu tremendo de frio.

Pedro Álvares Cabral
inventor do telefone
começou tocar trombone
na Volta de Zé Leal
Mas como tocava mal
arranjou dois instrumento
daí chegou um sargento
querendo enrabar os três
Quem tem razão é o freguês
diz o Novo Testamento”


Frei Henrique de Coimbra
Sacerdote sem preguiça
Rezou a primeira missa
Perto de uma cacimba
Um índio passou-lhe a pimba
Ele não quis aceitar
E hoje vive a chorar
Embaixo de um pé de jureme
O bom pescador não teme
As profundezas do mar

Getúlio Vargas morreu
Foi com saudade da esposa,
Lampião inda tá vivo
Morando perto de Sousa
Por detrás do sete-estrelo
tem um casal de raposa.

No tempo do Padre Eterno
Getúlio já governava
Plantava feijão e fava
Quando tinha bom inverno
Naquele tempo moderno
São João viajou pra cá,
Dom Pedro correu pra Iá,
Escanchado num tratô…
Canta, canta, cantadô
Que seu destino é cantá.

14 comentários:

Socorro Melo disse...

Olá, gente!

Eu não conhecia essa figura, até hoje, acreditam?
Fiquei impressionada com história, e com os versos "desconexos" deste poeta nordestino. O título de poeta do absurdo lhe caiu mesmo com uma luva.
Mas, como dizia o amigo que me falou sobre ele, a métrica e a rima são perfeitas.
Gostaram?
Depois eu volto, com mais novidades deste Nordestão querido.

Beijos
Socorro Melo

a vida em toda a dimensão disse...

Para mim não há poetas do absurdo,
ou então sim, porque a vida também
por vezes é absurda.
Beijinho
Irene

São disse...

o surrealismo da poesia popular me comove e maravilha!

Feliz fim de semana

Misturação - Ana Karla disse...

Socorro esse nome do Zé Limeira, tem corrido as apostilas do colégio dos meninos e tive essa oportunidade de conhecer mais.
Bom demais.
Xeros

Misturação - Ana Karla disse...

A propósito, você tem um e-mail que possamos nos comunicar, que não seja aqui pelo blog?

Evanir disse...

Nem somando todas as minhas dúvidas e incertezas
não deixarei de seguir sempre em frente.
Não é duvidas que trago no meu coração,
mais uma convicção de que vencerei todos os obstaculos
que hoje paresse não ter fim.
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem
perder o que temos de melhor em nós a fé
,,bem maior que temos em nossas vidas.
E isso não vou perder nunca.
Hoje só quero deixar muito amor e carinho
pois você mereçe tudo de bom
nessa vida.
Estarei aqui sempre que Deus me permitir
você tem contribuido para que
a cada dia me sinta mais forte.
Creio posso viver melhor
e muito mais feliz com seu carinho.
Deus abençoe seu final de semana beijos no coração,Evanir.
Muita paz no coração.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Se queremos progredir, não devemos repetir a história,
mas fazer uma história nova.(Mahatma Ghandhi)

Gilmara Wolkartt disse...

Ei Socorro
Não conhecia esse Zé Limeira, o Brasil nos surpreende com sua diversidade e a criatividade do seu povo.
Bom final de semana.
Gd beijo

♫*Isa Mar disse...

Muito legal conhecer os versos desse poeta, e realmente tem muitos poetas surrealistas, tenho visto cada coisa no Recanto das Letras onde posto meus poemas que você nem imagina rsss
Alguns extrapolam dizendo que é arte, assim como tem cada pintor que faz sucesso e vejo só borrão,mas enfim... sempre tem gostopra tudo!
Mas até que alguns versos eu gostei, dei risada quando li que o Pedro Álvares Cabral inventou o telefone e começou a tocar trombone,ele gostava mesmo é de uma sátira e avacalhar com os pobres coitados que caíam na imaginação dele rsss
Beijos pra ti e um ótimo fim de semana!

Terê. disse...

gente, que poema lidissimo, amei, bju terê.

Mônica - Sacerdotisa da Deusa disse...

Olá minha flor!
Obrigada por me autorizar a publicar a sua jóia lá no meu cantinho viu? Gratidão!
Aqui está: http://deusasefadas.blogspot.com/2011/08/cordel-anjo-azul.html

Beijinhos querida.

Flores e Luz.

Marcia disse...

Muito bom querida e eu aqui aprendendo contigo rs, bjão!

Anne Lieri disse...

Socorro,tb não conhecia esse escritor!Que cordeis mais divertidos!...kkkk...adorei!Bjs e bom fds!

Juju Porcino Loureiro disse...

"Lampião inda tá vivo
Morando perto de Sousa"

Meu neto adora esse tipo de literatura. Ele se diverte!
Valeu a postagem, muito divertida!
Beijos

José Roberto disse...

Minha homenagem ao grande Zé Limeira:
Alguns versos meus que gosto de brincar nesse estilo:

Foi num porto da Bahia
Que Dom João chegou bem cedo
Dava pra contar no dedo
A bagagem que trazia
Uma dúzia de bacia
Dois fardos de algodão
Gasolina de avião
Do café trouxe a semente
Duas bíblias uma de crente
Outra do rei Salomão

Cristo enforcou Jesus
Na beira do rio Jordão
Na noite de São João
Num galho de cipó-cruz
Comeu pirão com cuzcuz
No meio da cabroeira
Na noite de sexta-feira
Cantou prosa e rezou missa
José e Maria castiça
Diria assim Zé Limeira

No tempo da ditadura
Eu rezei pro pai eterno
Fez sol mas deu bom inverno
Plantei fava e rapadura
Veja só que formosura
A “muié” de Barbosinha
Se ela tivesse sozinha
E o cachorro amarrado
Eu levava ela prum lado
E uma cuia de farinha

O pai da aviação
Por nome Drumon Andrade
Sem dó e nem piedade
Se atracou com Lampião
Na bainha um facão
Na matula um castiçal
Gritou pra São Nicolau
Acuda-me nessa hora
Disse isso e foi-se embora
Deixando um cartão postal

Por causa da Ditadura
O Brasil foi descoberto
Um navio chegou perto
Da curva da ferradura
Dom Pedro fez a leitura
Na borda da ribanceira
Cabral trouxe uma cadeira
Sem dó e sem ter clemência
Proclamou a independência
Diria assim Zé Limeira

No dia em que eu falecer
Peço pro povo velante
A noite toquem um berrante
Botem pinga pra beber
Espero comparecer
Virgulino Lampião
Patativa e Gonzagão
O dono da Coca-Cola
Mais Pelé o Rei da bola
E o pai da aviação

(Zé Roberto)