Pegadas de Jesus

Pegadas de Jesus

sexta-feira, 28 de abril de 2017

CONTO: O ÚLTIMO DIA - PARTE 6



Andou em círculos por um bom tempo, sem ter noção de onde ficava a rodovia, mas, por fim, encontrou. Estava desnorteado, não sabia que lugar era aquele, e se sentia humilhado por estar seminu. Viu um barzinho à beira da estrada, com um orelhão defronte, e para lá se dirigiu. Contou toda história, foi acolhido, conseguiram-lhe uma peça de roupa, e depois de refeito, dirigiu-se ao orelhão e ligou para Luísa.
Quando ouviu a voz da mulher, as lágrimas brotaram de seus olhos, e os deixaram embaçados. Foi tomado de grande emoção, e nunca a voz de Luísa lhe parecera tão doce e tão maviosa aos seus ouvidos. Fez um esforço para recobrar o controle e disse:
- Luísa, eu estou bem. Vou chegar mais tarde, mas, não se preocupe, estou bem – e depois de instantes, com o coração aos pulos, disse carinhosamente: eu te amo.
A vida lhe dera uma nova chance, sentia que nascera de novo, e só importava ser feliz agora. Viveria cada dia de sua vida como se fosse o último. Era sexta-feira.
No domingo seguinte, Alfredo era só mais um, naquela passarela de peregrinos que conduzia aos pés da mãe Aparecida, para derramar  no seu coração misericordioso toda sua gratidão e louvor.

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FIM


Esta história foi baseada em uma experiência real, vivida por alguém da minha família.



quinta-feira, 27 de abril de 2017

CONTO: O ÚLTIMO DIA - PARTE 5


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O medo tornara-se pavor, e a angústia era tanta, que o sufocava ainda mais que o saco que o envolvia. E foi neste momento, que se sentiu arrastado para fora. As dores musculares eram tão fortes, que mal conseguia ficar de pé, em compensação, sentiu o ar fresco entrar em seus pulmões, conferindo-lhe certo conforto. Do que valia isso? Se em poucos instantes iria estar morto mesmo.
O saco foi retirado de sobre seu corpo, com a mesma rispidez com que fora colocado. Ainda com a venda nos olhos, sem saber se era dia ou noite, pensava - então é isso, chegou minha hora.
A venda dos olhos foi arrancada, para completar aquele quadro de horror, e Alfredo se viu diante dos bandidos, que abdicaram de seus capuzes, e máscaras, e o olhavam indiferentemente, como se ele não passasse de um verme nojento e sem importância.
Estavam no meio de um matagal, e já era noite. Não havia nenhum barulho, a não ser o dos grilos. Alfredo tentou ouvir algum som, ou ruído, vindo da rodovia, porém, o silêncio era aterrorizante.
Um deles, o gordo e careca, mandou que ficasse de joelhos, e encostou-lhe o revólver na nuca. Os outros dois, que pareciam até mais debochados, se posicionaram logo atrás, e ficaram em grande expectativa.
Os segundos pareciam horas, e Alfredo já ansiava pelo disparo, pois, não agüentava mais tanta agonia. Com um sotaque carregado e utilizando-se de gírias, iniciou-se uma conversação entre eles:
- Atira logo, Gordo, que demora é essa? Ou tá querendo poupar o mané? Falou aquele que tinha tatuagens por todo corpo, e que era chamado de Tatu.
O terceiro, um afro-descendente, magricela e feio, interveio:
- Aê, Gordo, acaba logo com isso, mermão. 
Alfredo, que já se convencera do seu fim, sentiu um calor subindo pelo corpo, e tomado por uma coragem insana, falou, mais para si do que para eles:
- Por favor, não me matem, eu nunca fiz mal a vocês, tenho família, me deixem viver, em nome de Jesus, e de Nossa Senhora de Aparecida... 
E naquele momento, um vento forte e uivante, se fez ouvir no matagal.
- Cale a boca!- gritou Tatu. Tu vai morrer mané, teus santo não tão nem aí pra tu - e sorriu escandalosamente, sendo seguido pelo magricela, que disse:
- Bora Gordo, tá com medo de que? – e os risos continuaram.
E neste momento, o Gordo retirou a arma da nuca de Alfredo, virou-se para os dois que estavam por trás dele, e disse ferozmente:
- Calem-se! Já estou cheio dessas intromissões. Não se esqueçam de que sou eu quem manda aqui. Não tenho medo de nada não, mas, não gosto de encrenca pro lado de santo nenhum. Vamos embora, deixa o mané aí. Tirem toda roupa dele, deixem-no só de cueca.
Os outros, que não disseram uma palavra sequer, recolheram a roupa de Alfredo, e o empurraram num  barranco, e depois seguiram o Gordo, que se dirigia para o caminhão.
Passados alguns minutos, Alfredo se levantou, e desatou a chorar como criança desmamada. Com o corpo trêmulo e coberto de terra, o rosto machucado, sentou no barranco, tirou a medalhinha de Nossa Senhora de Aparecida, fez uma prece silenciosa de agradecimento, beijou-a, e se pôs de pé.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

CONTO: O ÚLTIMO DIA - PARTE 4



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Desorientado, ainda, pelo desagradável incidente, falou asperamente, se voltando para o carro à sua frente:
-          Que maluquice é essa? Todavia, mal acabara de proferir as palavras, a cabine do caminhão foi invadida por três homens armados, encapuzados, que o puxaram violentamente para fora.
Alfredo, trêmulo, ainda conseguiu balbuciar algumas palavras:
- O que é isso?  Mas, logo se calou, pois, sentiu que as circunstâncias não lhe eram favoráveis.
Recebeu uma coronhada na cabeça, que o deixou zonzo, e o aviso de que não mais se dirigisse a eles. Vendaram-lhe os olhos, enfiaram um saco por sobre sua cabeça, e o colocaram de volta no caminhão, só que dessa vez, atrás do banco da cabine.
Os homens ocuparam os assentos, tomaram a direção, e o caminhão começou a movimentar-se, deixando para traz o carro branco que os conduzira até ali.
Alfredo, dentro do saco, tremia tal qual bambu açoitado pelo vento. Sentia doer-lhe todos os músculos do corpo, e respirava com grande dificuldade. No entanto, o medo que sentia, neutralizava toda e qualquer dor. Não conseguia raciocinar direito, e custava-lhe crer que tudo aquilo lhe estivesse acontecendo. Quando tentava encontrar uma posição mais confortável, e fazia algum movimento, sentia a mão de um dos bandidos a lhe empurrar a cabeça, para baixo, para que ficasse agachado por completo.
Vez por outra ouvia a voz dos marginais, nitidamente, e ficou petrificado, quando os ouviu dizer que o melhor seria eliminá-lo.
E nessa agonia permaneceu por muito tempo, horas a fio, já não tinha idéia de quantas, pois, estava desnorteado, dolorido, e consumido pelo medo e pela tensão.
De repente, o caminhão parou. Alfredo ouviu o barulho das portas se abrindo, e foi tomado de pânico. 
Chegara sua hora: pressentia. Pensou em Luísa, em quanto tempo não dizia que a amava; não lhe fazia um agrado, um carinho, não saíam juntos... 

Pensou nos filhos, no pessoal da Distribuidora, na família que o aguardava lá em Pernambuco, no sítio que nunca iria desfrutar; que ficaria só nos seus sonhos, e começou a chorar. 

Não saberia dizer quanto tempo ficou ali, sozinho, à espera do que iria lhe acontecer.

terça-feira, 25 de abril de 2017

CONTO: O ÚLTIMO DIA - PARTE 3

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Pegou a rodovia, em direção a uma cidade do interior, que distava cem quilômetros da capital. A estrada era boa, porém, havia um trecho perigoso próximo a uma favela da região.
Alfredo, olhos fixos na estrada, e pensamentos pululantes, lembrava de como tinha sido sua vida, e imaginava como seria dali pra frente, pois, existia a possibilidade de voltar para o Nordeste, para o sertão de Pernambuco, e viver na tranqüilidade de um pequeno sítio.
Era motorista há vinte anos. Depois de tanto se sacrificar em atividades penosas, insalubres e perigosas surgira uma oportunidade de trabalhar como condutor de veículos de uma grande empresa, e ele abraçara aquela oportunidade com muita determinação.
Havia conhecido Luísa aos 23 anos, e casaram dois anos depois. Luísa era moça prendada, e tornou-se uma excelente companheira, exímia dona de casa, e mãe dedicada e amorosa. Tiveram dois filhos, dois tesouros, por quem Alfredo e Luísa se sacrificaram muito, para dar uma boa educação. Investiram nos estudos, e não só, pois, a preocupação deles, como pais, era com a transmissão de valores, de virtudes nobres, de sentimentos elevados. E se sentiam vitoriosos, pois, Arthur e Cíntia, com vinte e sete e vinte e oito anos respectivamente, corresponderam aos seus objetivos. Eram formados, trabalhavam, e já haviam constituído suas próprias famílias.
- Missão cumprida - pensava Alfredo.
Ia tão absorto em seus pensamentos, e tão emocionado encontrava-se, que não percebeu a aproximação do carro branco. De repente, numa fração de segundo, foi interceptado, de súbito, e teve que frear bruscamente.




segunda-feira, 24 de abril de 2017

CONTO: O ÚLTIMO DIA - PARTE 2


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Vez por outra divagava, e ficava pensando em como gostaria de ter estudado, de ter se profissionalizado, mas, lhe faltaram oportunidades. Era alfabetizado. Lia razoavelmente bem, porém, tinha grande dificuldade para escrever.
O burburinho e o barulho dos caminhões, à entrada da Distribuidora, arrancaram Alfredo de seu devaneio. Encostou o carro no estacionamento, e olhando para o cenário com antecipada saudade, se encaminhou até o Setor de Transportes, para receber as instruções do dia.
Curiosamente pensou no que Luísa falara, no mau pressentimento, e sentiu um arrepio, uma sensação desconfortável, e automaticamente puxou a medalhinha de Nossa Senhora de Aparecida, que carregava pendurada ao pescoço, beijou-a, e em pensamentos, pediu proteção.
Ao entrar na sala, teve uma emocionante surpresa. Os colegas de trabalho prepararam-lhe uma festa de despedida, e o acolheram com gritos e palmas, além das piadinhas costumeiras, que tornavam aquele ambiente tão agradável.
Todos o abraçaram, desejaram votos de felicidade e prosperidade, trocaram endereços e telefones, fizeram promessas de visitações, lembraram fatos antigos, riram das coisas engraçadas, falaram com respeito das coisas sérias, e despediram-se.
Alfredo agradeceu a todos, e saiu com lágrimas nos olhos. - eu hoje estou frouxo – pensou e sorriu.
Portando na mão a Nota Fiscal, dos produtos que iria fazer entrega durante o dia, o seu último dia, saiu em direção ao caminhão em que trabalhava.
Antes de entrar na cabine, deu umas palmadinhas na porta, como se estivesse se despedindo do seu velho companheiro de jornada.


domingo, 23 de abril de 2017

CONTO: O ÚLTIMO DIA - PARTE 1

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Quando Alfredo chegou ao limiar da porta, Luísa se aproximou, e com a voz entrecortada, demonstrando certo nervosismo, falou:
- Não me sinto bem. Tive pesadelos esta noite. Estou com o coração apertado, um mau pressentimento... Por favor, Alfredo, tenha cuidado.
Alfredo voltou-se, olhou para Luísa negligentemente, e disse:
- Não se preocupe, não vai acontecer nada. Vá descansar, pois, você não dormiu bem, e por isso está ansiosa.
Saiu, puxando a porta, e dirigiu-se para o carro, que estava estacionado à frente de sua casa. Já era quase sete horas da manhã, e teria que cruzar toda zona Norte em direção ao Leste, onde se situava a empresa que trabalhava.
Estava bastante eufórico, tendo em vista que seria seu último dia de trabalho na Distribuidora. Sabia que sentiria falta dos colegas, dos companheiros, como costumava chamá-los, mas, já cumprira seu tempo, e agora planejava dar um novo rumo à sua vida, fazer coisas que nunca fizera; viver da forma que sempre sonhara, ou simplesmente descansar.
Alfredo Correia era o seu nome. Viera do Nordeste, do sertão pernambucano, trazido por uma seca brava que assolara a região, há 37 anos. Contava dezoito anos quando chegou a São Paulo, fugindo da fome, como tantos outros conterrâneos seus.
No início foi difícil, quase impossível, a adaptação. Sentira muita falta de sua terra, de sua gente, e foi acometido do mal de banzo. Era muito jovem, sem nenhuma experiência de vida, ou profissional, e tudo contribuíra para aumentar sua desventura.

Morou em favelas, passou fome, foi estivador, trabalhou em atividades insalubres, perigosas, mas, se sentia recompensado quando, a cada fim de mês, mandava uns trocados para a família, que ficara no Nordeste, e que dependia basicamente do que ele mandava, para sobreviver.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

OS DOIS SERÃO UMA SÓ CARNE


Arquivo pessoal


«Os dois serão uma só carne»



«Façamos o homem à nossa imagem e semelhança», disse Deus (Gn 1,26). Uma simples ordem fez surgir os outros seres da criação: «Haja luz», ou «Haja um firmamento». Desta vez, porém, Deus não disse: «Haja o homem», mas: «Façamos o homem» Com efeito, achou conveniente dar forma com as suas próprias mãos a esta imagem de Si próprio, superior a todas as outras criaturas. Esta obra era-Lhe particularmente próxima; Ele tinha-lhe um grande amor. [...] Adão é a imagem de Deus porque traz a efígie do Filho único. [...] 


De certo modo, Adão foi criado simultaneamente singelo e duplo: Eva encontrava-se escondida nele. Antes mesmo de eles existirem, a humanidade estava destinada ao casamento, que os levaria, homem e mulher, a um só corpo, como no início. Nenhuma querela, nenhuma discórdia, se devia levantar entre eles. Teriam um mesmo pensamento, uma mesma vontade. [...] O Senhor formou Adão do pó e da água; quanto a Eva, tirou-a da carne, dos ossos e do sangue de Adão (Gn 2,21). O profundo sono do primeiro homem antecipa os mistérios da crucifixão. A abertura do lado era o golpe de lança sofrido pelo Filho único; o sono, a morte na cruz; o sangue e a água, a fecundidade do batismo (Jo 19,34). [...] Mas a água e o sangue que correram do lado do Salvador são a origem do mundo do Espírito. [...] 


Adão não sofreu com a amputação feita na sua carne; o que lhe foi subtraído foi-lhe restituído, transfigurado pela beleza. O sopro do vento, o murmúrio das árvores, o canto dos pássaros chamava os noivos: «Levantai-vos, já dormistes o suficiente! A festa nupcial espera-vos!» [...] Adão viu Eva a seu lado, aquela que era a sua carne e os seus ossos, sua filha, sua irmã, sua esposa. Levantaram-se os dois, envoltos numa veste de luz, no dia que lhes sorria: estavam no Paraíso.


São Tiago de Sarug (c. 449-521), monge e bispo sírio 
Homília sobre o sexto dia

quinta-feira, 6 de abril de 2017

NO FIM, TUDO É APRENDIZADO



Os contratempos, as contrariedades, os acidentes e tragédias, entram em nossas rotinas como um trovão que invade o silêncio com barulho cortante. A rotina é sagrada, e quantas vezes olvidamos disso.

E foi assim, quando ela sofreu um acidente doméstico. Quebrou o fêmur e precisou submeter-se a uma cirurgia. Foram dias e horas de espera, até que acontecesse. Quando se é idoso tudo é mais difícil, a debilidade é maior. As circunstâncias foram nos conduzindo. Houve ansiedade, preocupação, cuidados.

Enfim, chegou o dia, e com ele o medo, mas, muito mais esperança. Deu tudo certo. Aí se abriu um novo caminho, o da recuperação.



Novos desafios. Providências e circunstâncias que nos fizeram crescer, aprender, sair do nosso comodismo, da nossa vidinha organizada, tranquila, para nos deparar com o diferente, com o incômodo,  com o incerto e imprevisto.

E a gente acaba se adaptando. E vai mudando a rotina e se conectando com as necessidades.
Toda ruptura deixa marcas, faz estragos na vida da gente. Por outro lado nos faz entender o que muitas vezes é óbvio. O mais surpreendente é descobrir a força que temos quando amamos, do que somos capazes de fazer e realizar, quando numa outra situação, poderia ser impensável.



Somos capazes de ir além das nossas forças, por amor. Felizmente, chega o momento em que as águas revoltas serenam, e a nossa mente e o nosso coração também. Quando a natureza vai seguindo o caminho traçado pelo Criador, e vai refazendo a vida, costurando, bordando, plasmando, até que respiramos aliviados e pensamos: vai dar tudo certo, eu creio. E aí deixamos Deus ser Deus, para agir conforme a sua vontade. O resultado, mesmo quando não entendemos, é sempre o  melhor e o mais justo. Afinal, Ele escreve certo por linhas tortas, diz o dito popular.



Graças a Deus por tudo, e por todos, que conosco partilharam desses dias inquietantes.


Por Socorro Melo

sábado, 1 de abril de 2017

DEUS, HISTÓRIAS DE REVELAÇÃO DIVINA



DEUS estava lá na prateleira, recuado, e me atraiu a si, e lá fui eu, sem nenhuma pretensão, apenas alimentar a minha curiosidade. Bati os olhos, e me apaixonei. Quis levá-lo comigo, mesmo que naquele momento não estivesse nos meus planos.

Deepak Chopra, o autor. Um grande e respeitado escritor, indiano. DEUS, de Deepak Chopra. Dez histórias de revelação divina ao homem. Senti que era um presente, um raio de luz.

Sou cristã católica. Sempre fui. E conheço a história da Igreja: uma história feita por homens,  bons e maus, que a cada tempo da história deixaram as suas marcas. Todavia, apesar de tudo, reconheço que essa história foi conduzida por Deus.

No entanto, sempre tive o entendimento de que Deus não é propriedade particular de nenhuma religião, que Ele é universal, que não se amolda à vontade ou a critérios humanos.Que a cada ser humano, dentro de sua realidade de vida, de sua cultura, de seu espaço geográfico, foi e é dado o conhecimento e a iluminação conforme a determinação do Criador, dentro de uma magnífica diversidade.

E aí DEUS, de Deepak Chopra, vem trazer de forma bela e poética essa luz que me deixou  uma doçura e um enlevo na alma.

O mesmo jeito de ver Deus, mas, com lentes mais ampliadas. Um novo olhar ou um novo ângulo, um novo sabor, a mesma certeza.

Deus, em tudo e em todos, assim como dizia São Paulo. Deus, que é amor infinito. Deus a quem buscamos cotidianamente, e que parece se esconder de nós, que sempre estar à nossa frente, e que só o alcançaremos no fim da estrada, quando ultrapassarmos a linha divisória entre o tempo e a eternidade.

Meu maior e mais belo tesouro, minha fé. Não consigo me imaginar vivendo a superficialidade. É a interioridade que dá sentido à minha vida, e é a espiritualidade o caminho que me mantém firme nessa busca.

Leia você também, DEUS, de Deepak Chopra, e se surpreenda com a delícia que é conhecer as muitas e misteriosas faces de Deus.

Por Socorro Melo


quarta-feira, 29 de março de 2017

EU SÓ QUERIA CONVERSAR...




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Sinto falta de alguém pra conversar...

Conversar sobre tantas coisas...

Sobre a vida, e mesmo a morte!
Sobre as flores e os jardins
Sobre a lua e as estrelas
Sobre a dor, o sofrimento, e o amor...

Eu só queria conversar...

E deixar fluir meu sentimento
De ternura,
De paz,
De indignação,
De justiça,

Eu só queria conversar...

Conversar, e sorrir!
Até mesmo gargalhar
Lembrar de coisas passadas
Fatos antigos
Saborear a saudade
De momentos que não voltam mais

Eu só queria conversar...

E sentir a cumplicidade
Nos olhos que me olhassem
E ouvir palavras amenas
Que sossegassem meu coração
E me envolvessem num aconchego
De ternura e suavidade
Pra que não me sentisse tão só

Eu só queria conversar...

Quem sabe até pra chorar
E deixar cair com as lágrimas
O meu grande pesar
Aquilo que me incomoda
Que me faz tanto mal
E ouvir palavras doces
De esperança e de fé
E me sentir protegida
Segura e amada...


Por Socorro Melo

quarta-feira, 22 de março de 2017

FELIZ ANIVERSÁRIO, BLOGUITO!

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Sempre  achei fascinante a Arqueologia. Na verdade, os achados arqueológicos, pois, eles contam a história da humanidade.

Penso que ser arqueólogo demanda muita imaginação. Fico pensando em como eles montam o quebra-cabeças a partir de objetos tão pequenos, às vezes insignificantes para nós, leigos.

Mas, entendo que não há como a escrita para elucidar a história.

Pensando nisso lembrei-me de alguns filmes que vi quando criança, sobre escritos achados dentro de garrafas boiando nas águas. Eu achava aquilo fantástico. Sempre sonhei em um dia encontrar uma garrafa, com uma mensagem de grande importância para a humanidade, e nem sei como, pois, moro a quilômetros do mar.

Um dia  fizemos na Escola uma tarefa em que consistia em escrever uma mensagem, que seria enterrada num determinado lugar, para que fosse encontrada por outras crianças, talvez dali a cinquenta anos. Estas mensagens iriam dar as futuras crianças uma noção de como vivíamos em nosso tempo. Não me lembro mais qual a Escola e muito menos onde foi escondido o baú com as mensagens.

Bem, estava pensando… A Internet é um grande tubo, recheado de mensagens e de informações… Quase todo mundo tem seu espaço na Rede. O que postamos fica registrado.

Façamos de conta que a Rede é uma grande garrafa, onde todos nós podemos deixar nossos recados para o futuro. Alguém vai ler e vai conhecer nossa história, e um pouco de nossa personalidade, dependendo do que escrevamos.

Tudo isso pra dizer que hoje é 22 de março, aniversário do meu querido bloguito. É, parece bom, o bloguito pode ser a minha garrafa, onde vou deixar uma singela mensagem pro mundo, escondida dentro do tubo-Rede.

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São sete anos de atividade. Nele registrei momentos de grande emoção, de expectativas, de humor, de poesia, de frustração, de ganhos e de perdas. Interagi, sonhei, escrevi, escrevi, escrevi…

Ele é tão simples. Nada tem de extraordinário. Nada que chame a atenção. Nenhuma matéria bombástica, mas, é meu fiel escudeiro.

Se alguém aparece por cá, é muito bem vindo. Tem sempre uma mensagem de quem sonhou e sonha muito na vida, que é agradecida, feliz, e que teve oportunidade de amar. Alguém que escreveu com o coração, que se emocionou com uma canção, que apreciou a natureza, contemplou as estrelas, e vive numa busca constante de Deus, eu.

O bloguito é o passatempo favorito, é o lugar das escrivinhações, de brincar de poesia, de conectar com o mundo, passando sempre a ideia da beleza e da nobreza de sentimentos e de valores.

Sete anos! Parabéns a nós bloguito! E plagiando uma amiga blogueira, a Elvira, digo sem sombra de dúvidas: você pretende ser um espelho de mim mesma!

Obrigada leitores, amigos e seguidores, por esta gostosa parceria. Hoje é dia de festa, vamos cortar o bolo, tomar o champanhe e comemorar, pois, muitas águas ainda vão rolar por aqui, se Deus quiser. E num dia qualquer do futuro, alguém vai achar a garrafinha e vai se espantar que tenha existido alguém que amasse  a vida tanto quanto eu.

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Um jeito meio louco de comemorar aniversário, rsrsrs


Por Socorro Melo

terça-feira, 21 de março de 2017

DIA INTERNACIONAL DA POESIA




MENSAGEIRA





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Sentada ficava a dócil menina, ao redor da mesa,
Nem mesmo falava, apenas sorria, com singeleza,
Com mão muito firme, olhar bem atento, as linhas traçava...
E em derredor, quieto e feliz, o senhor aguardava.

Às vezes, a menina parava a mãozinha pra questionar,
Que mais o senhor, naquela cartinha, queria informar...
Num belo sorriso, de dentes tão brancos, quanto a sua alma,
Tecia um rosário e se repetia, mas com muita calma.

A menina acenava e a tudo acolhia com atenção,
E traçava as letrinhas, apondo as notícias, com emoção...
Os casos contados, recados passados, e tantas lembranças...
As dores, promessas, saudades, problemas e...  Esperanças! 

Da gente querida, da casa singela, de telha de barro, e chaminé...

Ficaram as lembranças. E uma bem preciosa é a do aroma do puro café!

Por Socorro Melo

Parabéns a todos os poetas, que têm o dom de trazer à vida a beleza, a nostalgia, a humanidade e a esperança!

quinta-feira, 16 de março de 2017

NEBLINA EM FIM DE TARDE



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Aprecio fins de tardes. Eles exercem um poder sobre minha sensibilidade. Deleito-me com o belo que deles advém.  Hoje vivi uma tarde inesquecível, digna de nota. Não porque tenha sido soberba ou extraordinária, mas , porque foi simples e encantadora.

Éramos doze, e íamos conhecer um lugar especial, fruto de um projeto sonhado junto.

Vivenciamos uma manhã produtiva, compartilhada,  e agora deslizávamos pista à fora rumo ao nosso cantinho.
Adentramos por uma estradinha de terra, e enquanto avançávamos, nuvens de chuva mudavam as características do tempo.

Em poucos instantes caía uma chuva fina.

A estrada era ladeada por cercas de madeira com arame farpado, e de um lado e outro víamos os rebanhos pastando e o mugido dos animais. O verde já coloria parte da vegetação, atingida severamente pelos sete anos de seca na região.

Avistamos ipês amarelos,  jasmins brancos, flamboiãs, e outras espécies de flores silvestres que íam ficando para trás enquanto seguíamos nosso caminho. A névoa nos envolvia cada vez mais.

Passamos pelo Riacho do Mel, subimos a Serra do Sapato, até finalmente desembocarmos em Várzea Grande, nosso destino. Ficávamos imaginando, e tentando adivinhar, o porquê do nome de cada um desses sítios.

De um lugar alto, tínhamos a visão geral do terreno que fomos visitar. Era amplo e acidentado e enriquecido por grandes árvores, algumas frondosas. Víamos cajueiros, umbuzeiros, e mais algumas que não saberia nominar.

A chuva se intensificou, o que não nos desestimulou. Percorremos o imenso terreno com alegria e espírito de aventura, sem nos importar com a lama, com o frio, ou o que quer que fosse. Sonhávamos juntos com o nosso projeto, e apontamos para cada direção em que imaginamos devam ser construídos os futuros prédios.

O silêncio era a riqueza daquele lugar, só quebrado pelas nossas próprias vozes, ou pelas vozes da natureza. A chuva cessou, porém a neblina se intensificou.

No caminho de volta víamos apenas as sombras das árvores, dos animais, e das casas. Tudo estava coberto de branco. Uma chuva fininha se fazia ouvir, de forma harmoniosa, numa cadência mais que perfeita. Era uma visão mágica. Um quadro pintado pelo Criador. Um mimo  para os nossos olhos. Um fim de tarde que  Deus nos concedeu a graça de apreciar o belo, o inestimável. Um fim de tarde envolto em neblina.

Por Socorro Melo, 12 mar 2017


quinta-feira, 2 de março de 2017

BAMBOLÊ

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Eu olhava admirada as minhas amigas brincando de bambolê, e sentia uma certa inveja, porque eu, de todas, era a única que não conseguia girar o bambolê em volta do corpo, com aquela desenvoltura e graciosidade.  Não levava o menor jeito. Não tinha ginga. Não tinha jogo de cintura.

Tentava, tentava, mas, era um tanto desengonçada, diria mesmo que parecia uma estaca, e o bambolê em minhas mãos perdia toda graça, todo encanto.

Nunca consegui, nem mesmo quando adulta, na Academia.

No entanto, fui aos poucos desenvolvendo um outro tipo de jogo de cintura, uma outra ginga, que me fez vencer muitos obstáculos, superar muitas situações estressantes e constrangedoras, um jeito todo especial de lidar com as pessoas.

Pessoas são diferentes. Cada uma é um mundo, apesar de terem todas muito em comum. Esta foi a minha melhor sacada. Inconscientemente comecei a estudar cada tipo, cada comportamento, cada reação, e assim pude desenvolver uma  maneira toda especial de tratar a todas e a cada uma.

Pessoas são únicas na sua essência. E não gostam de ser apenas “uma na multidão”. Gostam de serem identificadas, valorizadas, reconhecidas, dignificadas.

Saber chegar até elas, lapidá-las, compreendê-las, exige tempo e paciência. Umas são dóceis, escancaradas, leves, outras são como ostras, fechadas, mas guardam pérolas dentro de si, outras são atraentes, chamativas, algumas amargas, chatas, superficiais, enfim.

O meu laboratório mais rico foi o ambiente de trabalho. Aliás, os vários ambientes de trabalho. Pessoas de toda sorte chegavam por lá. Era uma diversidade surpreendente de tipos. Relacionei-me com um incontável número, direta e/ou indiretamente.

O quotidiano me ensinou a pisar em cada terreno sem medo. Por vezes fui incompreendida, mas, na grande maioria bem acolhida. Uns passaram como um vento, sem deixar marcas nem lembranças, outras guardo no coração com ternura e gratidão. No entanto, todas, construímos algo juntos.

Resumindo, para acolher pessoas, é necessário conhecer suas individualidades, suas características, suas habilidades, seus pontos fracos e seus pontos fortes, ou simplesmente enaltecê-las.

Não retrucar sem fortes argumentos.Saber calar. Acatar as ideias. Saber convencer. Elogiar. Aconselhar. Apontar erros sem humilhar. Dividir tarefas. Sabe ouvir. Perdoar ofensas. Ser solidário nas situações mais críticas. Prezar pela arte da boa convivência. Para isso precisa-se de ginga, de jogo de cintura.

Penso que fui um pouco bambolê na minha vida profissional, e acho que esse foi o principal papel de toda minha jornada, pois, angariei muitos e bons amigos. 

Por Socorro Melo

 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

ENCONTRO



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Pé ante pé eu busco o meu refúgio. 
O sol ainda nem despontou, nem se ouve o canto dos passarinhos.  
O silêncio reina poderoso.
E aqui estou, para o nosso encontro, amado de minha alma, ainda sonolenta, na penumbra.
Sento-me e aguardo.
Fecho os olhos. Respiro.
Uma leveza me domina
Chamo o teu nome, repetidas vezes, e me deixo ficar, esquecida de mim .
Por vezes, um turbilhão de pensamentos me assaltam. Mas eu insisto em te chamar.
E eu respiro, e te chamo. Respiro, e te chamo. Respiro, e te chamo.
Não há mais nada à minha volta. Tudo é silêncio. Vazio.
Uma fagulha estala dentro de mim. E vou seguindo, e chamando.
Vou viajando,  viajando,  para dentro do meu ser
Respiro, e te chamo. Respiro, e te chamo.
E sinto a tua presença, o teu cheiro
Mergulho em mim mesma, para te encontrar 
Lá fora uma luz tênue se derrama. Amanhece. 
E cá dentro se acende uma chama. Eu te alcanço. 
Por Socorro Melo

“Não te sintas abandonado, porque sempre estou contigo

Não te deixarei, não posso te deixar, porque és minha criação e meu produto, minha filha, meu filho, meu propósito, e Eu mesmo… 

Portanto, me chame, onde e quando você estiver separado da parte que EU SOU, e EU estarei lá”

(Do filme Conversações com Deus)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

COINCIDÊNCIA?



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Acordei  sobressaltada, um pouco trêmula, coração apertado, e com uma sensação de  medo, por causa do sonho. Parecera tão real, e isso era o que mais amedrontava . Eu vira meu filho, numa cadeira de rodas, paralisado, com um semblante triste, pesado. Ele vestia uma camisa de time de futebol, listrada, de azul e branco.

Deixei-me ficar por alguns instantes pensando naquilo, imaginando o que poderia significar. Tínhamos uma viagem programada para dali a poucos dias, íamos ver a neve, e aquele sonho me assustara.
Afastei dos meus pensamentos aquela imagem, fora apenas um sonho, na verdade um pesadelo. Mas, vez por outra  aquilo me incomodava.

Chegou o dia da viagem e com ele os preparativos, as expectativas, as providências a serem tomadas. Tudo ocorreu de forma tranquila, e lá fomos nós. Vivemos  momentos  inesquecíveis, de uma viagem encantadora. Regressamos em paz.

Na chegada, um grande contraste, uma notícia triste que se sobrepôs a toda euforia da experiência maravilhosa que tínhamos vivido: meu irmão estava gravemente doente. Tudo se passara tão rápido que mal dava para acreditar. Senti-me arrancada pela raiz. Não ousei descansar da viagem,pois, não havia tempo para isso, nem clima. Fui ao encontro do meu irmão,que se encontrava hospitalizado.
Atravessei os corredores do Hospital muito tensa. Sentia-me mal em pensar que enquanto eu me divertia ele lutava pela vida. Mas, eu não sabia, e  não poderia imaginar que algo tão grave estivesse acontecendo com ele.

Quando assomei à porta da enfermaria ele estava bem à frente, já desfigurado por causa da doença. Estava sentado numa cadeira, imóvel, parecia paralisado, com um semblante triste, carregado de sofrimento, e vestia uma camisa de time de futebol, listrada, de azul e branco, tal como eu sonhara dias atrás. Porém, eu não lembrei-me disso naquela hora.

Na noite seguinte dormi muito mal. Eu só pensava nele. Não sei se por causa do sofrimento ou da tensão, tive um outro sonho, que tanto quanto o primeiro, me deixaram pensativa.

De novo eu via meu filho, no que parecia ser um quarto ou sala não muito grande, com as paredes pintadas de branco, e sem teto. Não havia janelas nem portas naquele lugar, e as paredes eram muito altas. E ele circulava naquele quadrado, e batia com os punhos e as mãos nas paredes, na tentativa de sair dali, quando depois de um tempo que me pareceu enorme, dois braços se estenderam por cima da parede, e o puxaram para fora, libertando-o daquela prisão. Suspirei aliviada. Eu era uma expectadora,mas, é estranho, eu não sabia de onde eu olhava tudo aquilo.

A situação do meu irmão se agravou muito, e foi necessário submetê-lo a uma delicada cirurgia. Após, ele entrou em coma, e ficou entubado por três dias, depois foi a óbito.

Enquanto ele estava em coma eu o visitei. Fiquei ali parada diante dele, sem saber que dizer, ou que fazer. Não dava para acreditar que um homem tão jovem, tão forte, estivesse naquela condição tão deprimente. Ele estava ali, e não estava. Afaguei os seus cabelos enquanto fazia uma prece, e apesar de tudo, de todos aqueles tubos, aparelhos, me parecia sereno, tão diferente daquele semblante cadavérico e agoniado que eu vira dois dias atrás.

Ele estava ali, mas não estava. Estava preso dentro de si mesmo. Não partira ainda, mas também não se comunicava com o mundo exterior, e me veio à lembrança aquele recinto de paredes brancas, sem teto, que eu havia visto no meu sonho. Sabia que ele estava travando uma luta interior, tentando se libertar. Três dias depois, partiu. Penso que aqueles braços fortes, que vi no meu sonho, o resgataram de dentro daquela prisão, e como cristã, sei que Deus o fez.

Isto é apenas uma reflexão, sobre os meus sonhos, que foram tão reais. O que aconteceu de fato? Teriam sido um aviso, uma premonição? Ou, tudo não passou de grande coincidência? Será que a fronteira entre essa vida física e a espiritual é tão próxima assim? Será que a fé e a sensibilidade para as coisas espirituais nos preparam para momentos impactantes, de perda? Não sei. Só posso dizer que durante todo esse tempo estive no controle de minhas emoções, e de que não sou dada a especulações sobre assuntos que desconheço.

Porém, creio, que:

Há mais mistérios entre o céu e a terra do que possa imaginar a nossa vã filosofia” (Shakespeare).