Pegadas de Jesus

Pegadas de Jesus

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

VULGARIDADE

Nunca se viu um número tão grande de música (música?) vulgar e sem qualidade como o que se vê atualmente. E o que mais me admira, ou assusta, é que o público ouvinte é bem diversificado. Se fossem apenas os jovens, sem cultura, que gostassem, eu tentaria entender, no entanto, fico pasma com a quantidade de pessoas, adultas e até idosas, que apreciam a baboseira que se lança por aí.

Não sei se devo sentir raiva ou pena. Pelo tipo de música que uma pessoa gosta, pode se identificar muito da sua personalidade.

A falta de criatividade e de poesia nas letras, do que se canta, é impressionante, sem falar que o ritmo é um só, e não existe, portanto, melodia. Mas, para qualquer novo “talento” que se lance no mercado, seguem-no multidões.

Os tais “talentos” lançam moda. Aquilo que usam nos shows é copiado por muitos fãs, com grande orgulho. Estilos de danças são criados a cada momento, cada um mais vulgar que o outro. E,  comumente vemos idosos e pessoas  aparentemente equilibradas, remexendo-se de forma obscena, em qualquer lugar público, ao  escutarem os tais sucessos.

Tudo é exagerado. Tudo é apologia ao sexo explícito. As pessoas cantam, naturalmente, em público, alguns refrões pejorativos, que eu me envergonharia de fazê-lo. Mas é a moda. É o que há de mais moderno. Perdeu-se a noção do ridículo.

Vulgaridade. No dicionário um dos significados do termo vulgaridade é: aquilo que não tem nada que o faça destacar-se, e também, que não se distingue dos seus congêneres. 

Estes significados nos fazem pensar duas coisas: primeira: o que ou quem, não tenha nenhum valor, não tendo o que oferecer, quando se arvora em fazê-lo, o resultado é semelhante ao nosso assunto em questão. O vulgar é comum, não aparece, não brilha, não se distingue. A segunda versão é: será que o dicionário precisa ser atualizado? Pois, o vulgar tomou proporções excepcionais, está em evidência, tem seu brilho próprio, e se distingue, claramente, de tudo o que se possa imaginar. Infelizmente, de forma vulgar.

Certo dia fiz uma pequena viagem, num transporte alternativo, e o condutor do veículo colocou um DVD
(cortesia aos seus clientes) de uma coletânea de shows dessas bandas vulgares, que eu abomino. Como não tive opção de não ver, e de não ouvir, relaxei, e passei a observar, sentindo que me enojava a cada nova apresentação.

A vulgaridade começa pelo figurino. Depois veem as danças, os cenários espalhafatosos, e concluindo, as letras depreciativas.

Em um dos tais shows, me chamou a atenção uma mulher, que fazia parte do coro de uma das Bandas. Sem exageros de minha parte, ela deveria pesar uns noventa quilos aproximadamente. Era jovem, tinha um cabelo bonito, mas envergava um mini vestido, tão mini e tão justo, que eu sinceramente, não sei como ela conseguiu entrar nele, ou ele nela. Pernas de fora... e pronto, perfeito! É o que o público gosta. Fiquei chocada.

O que vi, foi algo desagradável e sem harmonia. Repito: perdeu-se a noção do ridículo. No meu entender, o que deve se sobressair num show artístico é a arte, no caso em questão, a música, e não os artistas. É lógico que devem cuidar da aparência, mas essa, deveria ser simples, pois o simples é belo e elegante. Entanto, nesse caso, não me surpreendo, pois a ineficiência e o mau gosto andam de mãos dadas.

E indignada percebi, enfim, que esses aparatos, esses modelos radicais, são subterfúgios para disfarçar a má qualidade do que se tem a oferecer. Em contrapartida, os bons músicos, aqueles que são de fato talentosos, enfrentam um sem número de dificuldades para se firmarem na carreira, e divulgarem os frutos do seu trabalho, ressalte-se: de  boa qualidade. Cada dia me decepciono mais com o que se chama cultura no Brasil.

Por Socorro Melo


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