Pegadas de Jesus

Pegadas de Jesus

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

COINCIDÊNCIA?



Imagem da Net

Acordei  sobressaltada, um pouco trêmula, coração apertado, e com uma sensação de  medo, por causa do sonho. Parecera tão real, e isso era o que mais amedrontava . Eu vira meu filho, numa cadeira de rodas, paralisado, com um semblante triste, pesado. Ele vestia uma camisa de time de futebol, listrada, de azul e branco.

Deixei-me ficar por alguns instantes pensando naquilo, imaginando o que poderia significar. Tínhamos uma viagem programada para dali a poucos dias, íamos ver a neve, e aquele sonho me assustara.
 
Afastei dos meus pensamentos aquela imagem, fora apenas um sonho, na verdade um pesadelo. Mas, vez por outra  aquilo me incomodava.

Chegou o dia da viagem e com ele os preparativos, as expectativas, as providências a serem tomadas. Tudo ocorreu de forma tranquila, e lá fomos nós. Vivemos  momentos  inesquecíveis, de uma viagem encantadora. Regressamos em paz.

Na chegada, um grande contraste, uma notícia triste que se sobrepôs a toda euforia da experiência maravilhosa que tínhamos vivido: meu irmão estava gravemente doente. Tudo se passara tão rápido que mal dava para acreditar. Senti-me arrancada pela raiz. Não ousei descansar da viagem,pois, não havia tempo para isso, nem clima. Fui ao encontro do meu irmão,que se encontrava hospitalizado.
 
Atravessei os corredores do Hospital muito tensa. Sentia-me mal em pensar que enquanto eu me divertia ele lutava pela vida. Mas, eu não sabia, e  não poderia imaginar que algo tão grave estivesse acontecendo com ele.

Quando assomei à porta da enfermaria ele estava bem à frente, já desfigurado por causa da doença. Estava sentado numa cadeira, imóvel, parecia paralisado, com um semblante triste, carregado de sofrimento, e vestia uma camisa de time de futebol, listrada, de azul e branco, tal como eu sonhara dias atrás. Porém, eu não lembrei-me disso naquela hora.

Na noite seguinte dormi muito mal. Eu só pensava nele. Não sei se por causa do sofrimento ou da tensão, tive um outro sonho, que tanto quanto o primeiro, me deixaram pensativa.

De novo eu via meu filho, no que parecia ser um quarto ou sala não muito grande, com as paredes pintadas de branco, e sem teto. Não havia janelas nem portas naquele lugar, e as paredes eram muito altas. E ele circulava naquele quadrado, e batia com os punhos e as mãos nas paredes, na tentativa de sair dali, quando depois de um tempo que me pareceu enorme, dois braços se estenderam por cima da parede, e o puxaram para fora, libertando-o daquela prisão. Suspirei aliviada. Eu era uma expectadora,mas, é estranho, eu não sabia de onde eu olhava tudo aquilo.

A situação do meu irmão se agravou muito, e foi necessário submetê-lo a uma delicada cirurgia. Após, ele entrou em coma, e ficou entubado por três dias, depois foi a óbito.

Enquanto ele estava em coma eu o visitei. Fiquei ali parada diante dele, sem saber que dizer, ou que fazer. Não dava para acreditar que um homem tão jovem, tão forte, estivesse naquela condição tão deprimente. Ele estava ali, e não estava. Afaguei os seus cabelos enquanto fazia uma prece, e apesar de tudo, de todos aqueles tubos, aparelhos, me parecia sereno, tão diferente daquele semblante cadavérico e agoniado que eu vira dois dias atrás.

Ele estava ali, mas não estava. Estava preso dentro de si mesmo. Não partira ainda, mas também não se comunicava com o mundo exterior, e me veio à lembrança aquele recinto de paredes brancas, sem teto, que eu havia visto no meu sonho. Sabia que ele estava travando uma luta interior, tentando se libertar. Três dias depois, partiu. Penso que aqueles braços fortes, que vi no meu sonho, o resgataram de dentro daquela prisão, e como cristã, sei que Deus o fez.

Isto é apenas uma reflexão, sobre os meus sonhos, que foram tão reais. O que aconteceu de fato? Teriam sido um aviso, uma premonição? Ou, tudo não passou de grande coincidência? Será que a fronteira entre essa vida física e a espiritual é tão próxima assim? Será que a fé e a sensibilidade para as coisas espirituais nos preparam para momentos impactantes, de perda? Não sei. Só posso dizer que durante todo esse tempo estive no controle de minhas emoções, e de que não sou dada a especulações sobre assuntos que desconheço.

Porém, creio, que:

Há mais mistérios entre o céu e a terra do que possa imaginar a nossa vã filosofia” (Shakespeare).

sábado, 18 de fevereiro de 2017

AUTORETRATO





Caruaruense em devaneios
Sou um mar de sonhos
A emoção que me move
Tem a força de um furacão
Se houver um desafio para enfrentar
Serei valente
E lutarei pelo que sinto
No meu mundo
Procuro a luz que há em tudo
E em todos
Sendo o que sou, sempre com fé e determinação
Isto que está em meu interior
É mágico, porque tudo pode acontecer
Segundo o meu coração, nada pode me deter.

(Eva Gonçalves)



domingo, 12 de fevereiro de 2017

VÍTIMAS DA SECA


 
 
Hoje acordei ouvindo uma sinfonia: uma chuva fina que se prolongou por quase toda a noite. O dia amanheceu branco, nublado, mas, para nós nordestinos, não poderia ser mais lindo. Penso que cada um de nós elevou uma prece aos céus por esta chuva tão ardentemente esperada. E desejamos tanto que ela permaneça conosco.  

Nós, que fazemos parte do Polígono das secas, que há cinco anos  estamos enfrentando uma estiagem severa, que estamos vendo despencar a nossa economia, ressecar os nossos cactos, rachar o nosso chão, morrer os nossos animais, e ver flagelados os nossos semelhantes, por causa da seca e do calor infernal, sabemos o quanto vale uma gota d’água. 

Algumas cidades do meu Pernambuco já decretaram calamidade pública. Os principais setores da Economia já estão duramente atingidos, e as pessoas já sofrem a meses a falta de água nas torneiras, tornando-se dependentes dos carros pipas e de alguns poços que felizmente ajudam no abastecimento, mesmo que de forma precária.

Estamos à Mercê de Deus, pois, sem água não se vive, e a pouca e cara disponível, não sabemos da procedência nem da qualidade. 

As regiões mais favorecidas, onde os reservatórios ainda se conservam, também já estão com as capacidades bem prejudicadas, tendo em vista estarem fornecendo para um grande número de municípios. 

A previsão, dada pela Companhia de água do Estado, não é das melhores. Os açudes e barragens que estão sustentando a região, não vão suportar por muitos meses, devido à grande demanda, quiçá, três meses. E depois? Essa é uma pergunta que não quer calar. Esse é o drama do nosso Nordeste. 

Assoma-se a isso a crise política, econômica  e social do país. Talvez até por conta da pobreza, a violência impera. Não temos segurança, vivemos com medo, sem sequer poder usufruir dos nossos bens de consumo.

A saúde pública é precaríssima. Só sabe o que é o serviço de saúde pública, quem precisa dele. Tive a oportunidade de acompanhar, recentemente, duas pessoas da família que precisaram desses serviços, e como foi dolorosa a experiência. Quanto descaso! Quantos agentes de saúde sem preparação! Fiquei indignada. Estou indignada, pois, quanto de impostos pagamos para merecer tão pouca atenção. 

É doloroso e revoltante ver as pessoas doentes, sofridas, deitadas nos corredores dos Hospitais, aguardando atendimento. Não culpo os profissionais médicos, não são eles os responsáveis pela falta de recursos. Graças a tantos deles o povo ainda é salvo de tantas mazelas. Mas, e o Governo? Onde estão nossos representantes?  

Seca, crise, pobreza, descaso, é essa a nossa realidade hoje. A realidade do Nordeste do Brasil. Sim, porque o Nordeste também é Brasil.

A seca do Nordeste é um fenômeno natural antiquíssimo, sabemos disso. Porém, tem se agravado ainda mais com as mudanças climáticas, fruto  dos desmandos do homem com a natureza. E se não houver ações políticas sérias de sustentabilidade, para amenizar esta situação, nós estaremos fritos em poucos anos. É sério. Os cientistas preveem uma desertificação no Nordeste, em poucos anos, além de outras tantas previsões assustadoras que atingirão o mundo todo.
 
Ah, quero ir para Pasárgada! Não sou amiga do rei, como o poeta, mas, penso que é o único lugar do mundo imune a tantas injustiças e sofrimentos. E que Deus nos ajude!
 
Por Socorro Melo

 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

CHECK UP





Arranquei a primeira folha do calendário de 2017, janeiro, me dando conta de que os dias passaram rápido. Lembrei-me de que, já é quase tempo de marcar novo check up. Coisa mais chata essa de ficar checando a saúde! Se não fosse tão importante, eu abriria mão disso (risos).

Passamos horas intermináveis em salas de espera, sem falar do estresse para conseguir agendar previamente o atendimento.

E aí vem a consulta, tão esperada, caso não haja algum imprevisto, e o consultório não  nos ligue desmarcando tudo e remarcando para data posterior, o que não é raro de acontecer.

Saímos da consulta com uma papelada admirável de solicitações de exames,  significando que vão nos demandar muitos minutos do nosso precioso tempo, e muita paciência também.

Ah, os exames! São um capítulo à parte.

Primeiro já nos metem medo pela quantidade solicitada. Temos a ligeira impressão de que vão nos revirar pelo avesso. Segundo, que  tipos? Os tipos podem ser os mais inusitados e surpreendentes.

Enquanto vamos repassando as guias, e dando de cara com aqueles mais simples, os velhos conhecidos, os biomédicos, está tudo bem.

MAS, e esse MAS,  bem maiúsculo mesmo, vez em quando aparecem os ditos especiais, aí a coisa muda de figura. Primeiro, porque podem sugerir que algo não tão bom possa estar a acontecer conosco, segundo, porque há alguns que parecem verdadeiras sessões de tortura. 

Já tive o prazer de realizar alguns desses tops:

O enema opaco, que  examina o intestino. Procedimento: através de uma sonda é inflado, com pressão, até nos sentirmos como um balão de gás,  prestes a levantar vôo, ou explodir. Imaginem o efeito do super excesso de gases…

A PH metria examina a acidez que sobe do estômago para o esôfago, que é medida através de uma sonda fininha, flexível, introduzida pelo nariz  até o estômago, por 24 horas, causando um desconforto tremendo. A sensação é a de um cabo de aço enfiado no nariz.

E a colangioressonância é uma aventura. A máquina de ressonância magnética mais parece um forno ou um caixão, sei lá, já mete medo só de olhar. Ficamos  imóveis, com pernas amarradas, braços para trás, por quase uma hora, com o rosto quase colado ao teto da máquina. A sensação  é de estar sendo enterrado vivo. Agora sei porque tanta gente prefere fazer com sedação.

E então, esses foram os mais emocionantes que fiz, mas, sei que existem outros mais pitorescos ainda. Bem, pela saúde, tudo. Se for preciso faço, e repito, qualquer deles, mas, que são cabulosos, isso são.

Só refletindo, com meus botões. O objetivo é apenas lembrar que a saúde é o bem maior, e que tudo é pequeno e insignificante diante dela. Que devemos estar preparados para   encarar, apesar do medo e do desconforto, tudo que for preciso para preservá-la, porque “saúde é o que interessa, o resto, não tem pressa.

Saúde e paz para todos!


Por Socorro Melo

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

TERNURA


Imagem da Net 


Ele está beirando os 80. Desde sempre gostou de crianças. Tem para com elas grande carinho. Gosta de brincar, de pegar no colo, de abraçar, de mimar com doces. Assim foi com os filhos, com os netos, e com todas as crianças que cruzaram (ou cruzem) o seu caminho.

Depois da aposentadoria adquiriu o hábito de  passar grande parte do tempo sentado num banquinho à frente de casa, ou nas imediações. Dali fica vendo o movimento, cumprimentando as pessoas, proseando com algumas, resmungando contra outras, quando a prosa não lhe agrada. Todas as pessoas que passam por aquele quarteirão, o conhecem, o cumprimentam, até as crianças, aliás, principalmente elas, que são as mais bem vindas e melhor acolhidas. 

Elas o chamam pelo nome. Sempre param para receber um afago, um saco de pipocas, balas…

Uma menininha em especial, que por ali passa frequentemente acompanhada da mãe, o chama de vovô. Certa vez, num fim de tarde de verão, quando voltava da Padaria com a mãe, vendo-o sentado ali, sozinho, no seu banquinho, correu para lhe dar o abraço costumeiro.

Deixou-se ficar por uns instantes, enquanto ele lhe afagava os cabelos, então, num dado momento, voltou-se para a mãe e disse:

- Mamãe, vamos levar o vovô para a nossa casa, pois, ele mora sozinho na rua, e isso não é bom.

Não sei o que lhe disse a mãe, de que forma comunicou que ele não era um maior abandonado, de que não precisava de adoção, só sei que me encantou a generosidade sincera e a forma humilde e simples de  resolver as injustiças, demonstrando a grandiosidade do seu coraçãozinho.

Solidarizou-se com o que ela pensou ser uma necessidade do outro, quis proteger quem lhe parecia abandonado, quis oferecer sua própria casa, o seu conforto, a sua companhia. Quis retribuir a confiança, o carinho e a ternura que lhe foram por ele ofertados.
Que Deus conserve nessa criança essas sementes do mais puro amor.

Não foi à toa que o Mestre Jesus enfatizou que, “quem não for como as crianças não  herdará o reino dos céus”.

Uma grande lição de amor, pura e desinteressada.

E ele, por acaso, é meu pai.


Por Socorro Melo






sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

LUTA INTERIOR






E quando menos se espera uma palavra ou uma expressão discorde, coloca à prova todo um processo de busca pela paz e serenidade. É difícil conviver. É difícil aceitar o que é diferente. É muito mais difícil respeitar a liberdade de pensamento do outro sem ofensas.

Travei uma grande luta interior para entender isto. Percebi, após duras penas, que é mais sábio calar, deixar de expressar meus sentimentos ou opiniões, com quem não sabe ouvir e compreender. 

Perdi e ganhei com isso. Perdi a esperança de ter alguém com quem pudesse conversar, falar de sonhos, de ideias, e da vida, alguém onde eu pudesse me derramar, me aconchegar, me dividir... Ganhei, no entanto, quando entendi a limitação do outro, sua incapacidade de dar aquilo que não tem: equilíbrio, maturidade, serenidade, doçura, compreensão...

O silêncio foi a melhor resposta que encontrei. Já optei por este caminho uma vez, e me foi favorável, vou me utilizar sempre dele, quando preciso for. Há situações em que é melhor nos amordaçar.

Fico pensando no quanto perdemos, em toda riqueza de vida, de interação, de cumplicidade, de companheirismo, com as nossas atitudes impensadas, nosso jeito rude de falar, nossa falta de sensibilidade no trato com as pessoas. O quanto nos afastamos, de quem amamos, muitas vezes, por causa de nossos caprichos.

Fiz isso tantas vezes. Quis impor minhas verdades, meu jeito de ser, de pensar, de ver o mundo. Com certeza machuquei, humilhei, porque é impossível que um comportamento egoísta não deixe marcas, até mesmo feridas. E me feri também.

Até que um belo dia despertei, e vi o quanto estava utilizando errado os talentos que Deus me deu. E dei início a um processo de volta, de recuperação de tudo quanto me equivoquei. Nada fácil. A pior fase desse processo é manter o equilíbrio das emoções, é entender que os outros não despertaram ainda e que como eu são dominados pelo ego.

E acabei, de certa forma, tendo que mudar algumas atitudes, alguns pensamentos, a fazer considerações, a olhar certas coisas com um jeito novo, a renunciar a certos pontos para alcançar serenidade e paz.

Consegui lograr muito com minha nova forma de pensar e de agir. Todavia, fica sempre um vazio, um desejo, de poder compartilhar com outros o que carrego dentro de mim, e sei que não posso, pois, corro o risco de ser mal interpretada, retrógrada, incompreendida. É melhor calar. Optar pelo silêncio, e deixar que cada um aprenda com seus próprios erros, que não somos ilhas, que precisamos desaguar nos outros, que as diferentes opiniões podem ser motivos de aprendizado.

Á medida que vivo, aprendo. Já aprendi o suficiente para não querer mais impor minhas ideias, nem querer mudar ninguém. Já foi suficiente as bofetadas que a vida me deu, a cada vez que quis ensinar um caminho melhor para os outros e acabei rotulada de chata e de intrusa. 

Cansei das críticas. Agora não. Não mais. Não vou me deixar afetar por egos inflados. Vou ficar apenas olhando da minha janela. Eu não tenho mais tempo a perder. Eu preciso crescer. Preciso preparar minha bagagem com coisas novas. E me esvaziar de tudo que seja contrário à minha busca pela paz.

Por Socorro Melo

sábado, 21 de janeiro de 2017

DOIS CORAÇÕES

Da Net

´"Eu guardo em mim
dois corações
um que é do mar
um das paixões
um canto doce
um cheiro de tem...poral
eu guardo em mim
um deus, um louco, um santo
um bem e um mal
eu guardo em mim
tantas canções
de tanto mar
tantas manhãs
encanto doce
o cheiro de um vendaval
guardo em mim
o deus, o louco, o santo
o bem, o mal…” Danilo Caymi



Eu não conhecia essa canção do Danilo Caymi, até poucos dias. E quando a ouvi me pus a refletir. De fato, todos  guardamos dois corações,  e todos somos deuses, loucos ou santos em determinados momentos de nossas vidas.

Nós somos uma dualidade. Nós temos além desse corpo físico um ser interior que nos define. Um ser que pensa inteligentemente, que tem suas opções preferenciais, que tem vontades, desejos, que sabe argumentar, que toma decisões, que faz escolhas, que tem atitudes, que participa, que se retrai, um ser feito de razão e de emoção. Um ser livre.

E com essa liberdade que nos é dada, vamos construindo nossa história, edificando nossa vida, abrindo e fechando caminhos. E é grande a nossa responsabilidade na escolha de nossas preferências, pois, elas podem nos render tanto uma vida de sucesso quanto de amarguras e decepções.

Viver é um engenho, é uma arte. Precisamos nos munir de todo talento, de toda capacidade, de muita criatividade e bom humor para  levar adiante essa construção de forma desejável.

Não se pode perder um minuto na vida. Tudo conta a nosso favor ou contra nós. O que fazemos hoje tem reflexo na nossa vida amanhã. Podemos acertar ou errar, seja o que for, vamos colher os frutos do que plantamos.

Mas, podemos folgar com a certeza de que errando, podemos corrigir e dar um novo rumo à construção, basta que nos conscientizemos daquilo que  é realmente  o objetivo a ser atingido.

E quantas vezes damos murros em ponta de facas. E agimos de forma egoísta, como loucos, desrespeitando o espaço e a dignidade dos outros, querendo nos impor ou impondo nossas ideias e interesses.

E somos obrigados a juntar os cacos do nosso coração, que por vezes, ainda altivo, não aprende a lição. E são tantos os disparates, conforme o tamanho da insensatez.

Alimentamos o santo quando adotamos uma forma altruísta de viver. Quando enxergamos que além de nós existem mais. Quando somos capazes de nos ignorar, para  atender a necessidade de outro que é mais urgente, sem medir esforços e sem impor condições, quando deixamos aflorar sentimentos e virtudes nobres, como a generosidade, a compaixão, o acolhimento, o desapego, que aos olhos de muitos pode parecer loucura ou utopia, mas, que nos garante uma felicidade ímpar que nenhum bem material pode compensar.

Todavia, quando nos sentimos deuses, e sabemos que guardamos em nós essa possibilidade, atingimos o cúmulo da idiotice. O orgulho e a soberba nos levam a entender que somos superiores aos demais, mais dotados, mais expertos, mais agraciados, mais merecedores e por fim, acreditamos nisso.

E nos comportamos como rolos compressores, cegos e violentos, passando por cima de qualquer que venha ameaçar a nossa posição.

Todas essas possibilidades estão guardadas nos dois corações. Um guarda a doçura, o outro o fel. Um guarda o amor desinteressado, o outro as paixões desordenadas. Um guarda a felicidade o outro a desventura.

E tudo depende de nossas escolhas. A partir da mais ínfima. A vida é o que nós decidimos fazer dela. Para isso fomos presenteados com a liberdade. Porém, temos que compreender que vamos responder, cedo ou tarde,  pelo uso dessa liberdade.

O coração que é alimentado é aquele que vai se sobressair.  Priorizemos o coração que é leve, que não tem amarras, que guarda a simplicidade, que guarda o mar, o encanto doce, àquele que tem olhos e que enxerga mais longe, além do horizonte.

Por Socorro Melo


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

VENEZA



By Socorro Melo


Era bem cedo ainda quando saímos do nosso Hotel em Mestre para ir à Veneza. Os termômetros marcavam dois graus.  Eu não tenho palavras para descrever a emoção que me dominava naquele momento. Dali a poucos instantes pegaríamos um barco para fazer a travessia. Tudo em volta era tão diferente, tão bonito.

Quanto eu sonhara com Veneza! Desde a adolescência alimentava esse desejo. Era incrível que estivesse bem perto de conhecê-la, de respirar-lhe o ar, de pisar no seu solo, de olhar pro seu céu, de navegar no seu mar…

E chegamos ao Porto. E ocupamos nossos lugares no Vaporetto (barco motorizado que faz o transporte público até a ilha). Enquanto ele deslizava por aquelas águas de um verde límpido e de intenso brilho, naquela manhã de outono, meus olhos íam vislumbrando uma beleza que nem parecial real.

O vento gelado e o balanço do barco me faziam tremer, de frio, mas,  também de um pouco de ansiedade, de emoção. Cobri a cabeça com a echarpe na tentativa de ficar mais confortável.

Aos poucos Veneza ia se desenhando à nossa frente. Barcos atracados,  torres, casario, cúpulas de imponentes igrejas e o campanário de São Marcos. Senti vontade de chorar, de verdade. Enfim, chegamos.

Pude perceber, de um soslaio, que Veneza era diferente de todas as cidades que eu já conhecera. Nenhuma era flutuante e desafiadora quanto ela. Veneza tem, além da beleza, uma história impressionante.

E ali estava eu. - Prazer em conhecê-la, princesa do mar, disse em meus pensamentos.

A Veneza dos Doges, dos tribunais, dos grandes compositores, como Vivaldi, e dos grandes carnavais, das gôndolas, das pontes e dos canais, da arte e da música, estava ali diante mim, era demais…

E deslumbrada,  eu registrava tudo em minha memória, tudo que os meus olhos em festa me presenteavam, como um sedento diante de uma fonte de água.

Quantas particularidades. Veneza, creio, é a única cidade do mundo onde não circulam carros. Porém, o tráfego, respeitando-se mão e contra-mão é feito pelas pessoas.

Cada passo, uma aventura.  Conheci e me encantei com a Basílica de São Marcos, o evangelista, com a arquitetura, com os afrescos, e com o belíssimo interior, onde são guardadas as relíquias do santo e onde repousam seus restos mortais.

A Praça São Marcos é outro grande ponto turístico. É repleta de lojas, de cafés, de restaurantes, finos e elegantes, e no centro, grande quantidade de pombos que a tornam mais bonita.

Dos cafés ouvíamos músicas clássicas tocadas e cantadas ao vivo. E um grande burburinho de turistas vasculhando cada centímetro daquele lugar mágico, em busca de souvenirs, de comida ou do lugar perfeito para uma self, a ver pelos seus semblantes, todos encantados, como eu, de cara pra cima registrando tudo, apreciando os belos e históricos prédios e o campanário.

Comemos massa, degustamos vinho, vimos uma demonstração de como é trabalhado o vidro até se transformar nas maravilhosas e famosas peças de cristal, expostas ali naquela loja, conhecidas como cristais de Murano.

Atravessamos pontes, visitamos Museus, mas a grande emoção foi, de fato, navegar na gôndola, por entre os estreitos canais conhecendo as ímpares ruas de Veneza.

E quando o dia declinou, e com ele o ocaso do sol, Veneza nos surpreendeu com uma beleza poética,  envolvida pelos raios do sol poente que douravam suas águas, deixando-a mais romântica, mais atrativa, mais adorável e inesquecivelmente mais Veneza.

E foi neste clima de quase êxtase diante de tanta beleza que nos  despedimos, já com vontade de voltar, e com a grata satisfação de saber concretizado um lindo sonho.

Buono te conoscere Venezia!


Por Socorro Melo

sábado, 14 de janeiro de 2017

REMINISCÊNCIAS



Eu já estava cansada de contar carneirinhos. Iniciara a terceira centena e nada de sono, quando ouvi ao longe uma música bem antiga que me remotou ao passado, à minha infância.

Era o ano de 1967. Eu e Beto tínhamos cinco anos. Beto é meu primo. Morávamos numa pequena vila do agreste pernambucano. Nesse tempo, algumas melhorias começavam a chegar à vila, tais como a luz elétrica, a água do chafariz e o rádio. O rádio era o único meio de comunicação por ali, e era um artigo para poucos.

Meu tio, o pai de Beto, comprou um rádio. Todo mundo soube do acontecimento. Na vila, ávida de novidades, o que se passava na casa dos outros era sempre o assunto do dia.

O rádio foi posto numa pequena prateleira, fixada na parede. A prateleira fora forrada com um paninho branco, triangular, com um delicado bordado na ponta, e do lado do rádio, um jarrinho com flores naturais.

Naquela noite a vila em peso compareceu à casa do meu tio para ouvir o rádio. Na sala de visitas foram dispostas cadeiras e bancos dos quatro lados. Os adultos ficaram sentados, ocupando todas as cadeiras, só não me recordo se havia crianças, além de mim e de Beto.

Quando o rádio foi ligado, por volta das vinte horas, quanta emoção! Foi sintonizado numa estação de  rádio chamada Difusora, da cidade de Pesqueira, nossa vizinha. Havia um programa chamado Postais Sonoros, onde os ouvintes mandavam cartas à Radio, solicitando músicas e oferecendo aos amigos e familiares por ocasião de aniversários, casamentos, formaturas, etc. Foi este o primeiro programa que ouvimos no rádio, e que passou a ser o de outros fins de semana, para toda aquela gente da vila.

O centro da sala ficou vazio, obviamente, já que as cadeiras estavam dispostas nas laterais.

Eu e Beto, o que criança não inventa, resolvemos dar um show. Ficamos dançando no meio da sala. A dança não passava de um arrasta pé, de um lado para o outro, do começo até o fim do dito programa. Juntinhos, às vezes de mãos dadas, lá estávamos nós, a postos, esperando o locutor terminar sua fala e começar uma nova música. E àquela música, que eu ouvia ao longe, era uma das que nós havíamos dançado.

Ah, e a platéia gostava, e aplaudia. Era uma gente alegre, simples, de bom coração. Na vila, todos se respeitavam, se ajudavam mutuamente, e precisavam de tão pouco para serem felizes. Fez parte das minhas origens, e tanto aprendi dessa simplicidade.

Velhos tempos. Belos dias. Assim como bem disse o poeta.

Por Socorro Melo

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

AGRADECIMENTO AO LEITOR


Imagem da Net



Há quase sete anos eu criei o meu Blog, o Seguindo Minhas Pegadas (http://msocorrom.blogspot.com.br/). Uma página despretensiosa, que tinha e tem por finalidade apenas expressar um pouco do que penso e interagir com outras pessoas que também gostem de comunicação. Nos primeiros anos fui muito ativa, depois, por falta de tempo ou mesmo por negligência parei de escrever. No final de 2016, incentivada por algumas blogagens coletivas (quem é blogueiro sabe o que é isso) voltei a escrever. Nesses sete anos conheci, virtualmente, muitas pessoas com as quais me identifiquei. Algumas até já fizeram a grande viagem, e eu senti como se as conhecesse pessoalmente, exemplo da Glorinha Leão e da Welse. Alguns amigos são bastantes fiéis, pois, apesar da minha ausência, nunca deixaram de me acompanhar, caso, entre outros, da Norma EmilianoRoselia BezerraToninhobira Reis, Élys, Chica, e as portuguesas Fernanda Cerqueira Fernandes e Elvira, e me perdoem os que não consegui lembrar do nome.

Curiosamente acessei as estatísticas do Blog e fiquei surpresa com o número de visualizações da minha página, nunca tinha observado isso. Para uma página simples e despretensiosa achei fantástico. Não sei até que ponto estas estatísticas são confiáveis, mas, pela recorrência de algumas postagens, penso que as minhas mensagens têm transmitido um pouco de esperança, de emoção e de amor à vida. É o motivo do meu agradecimento. E o mais interessante, é que há muitas visualizações em países que eu nunca conseguiria imaginar, tipo Ucrânia, Polônia, Alemanha, China, mas, o maior número é dos Estados Unidos. Não há como não me espantar. Agradeço a Deus por isso e a cada leitor do meu Blog, e que Ele me conceda sempre a inspiração para deixar em minhas singelas mensagens algo de bom que possa despertar em cada leitor uma grande paixão pela vida. 

Thank you!


"I am the way and the truth and the life" JC