Pegadas de Jesus

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terça-feira, 20 de março de 2012

O MATADOR


Imagem do Google



Sensacionalismo. Ele não deve ser tão mal assim. A impressa exagera, precisa disso para se manter – pensava eu, embora, no fundo, não quisesse encontrá-lo.

Ele era temido por todos: era um matador. Cada um se protegia como podia. Os noticiários alertavam sobre seus sinais, e instruíam sobre como combatê-lo.

As vítimas se sucediam. As estatísticas eram alarmantes, porém, eu pensava, negligenciaram, pois se tivessem usado bem as armas, ele não teria tido grandes chances.

O matador era implacável, e não escolhia suas vítimas: Idosos, crianças, homens, e mulheres de bem, ocupados ou não, eram por ele atraídos, e covardemente atacados. Sim, covardemente, pois, ele quase não se dava a conhecer, atacava à surdina.

Possivelmente ele tinha consciência da sua fama, que crescia assustadoramente, como também crescia o número dos por ele vitimados. Não mudava de estratégia, combatia às cegas, e era terrível com todos que cruzavam os seus caminhos.

Uns poucos que o tinham visto, falavam da sua indumentária, e diziam que mais parecia uma fantasia. Não tinha porte de guerreiro, pois era tão franzino que mal podia se acreditar na sua valentia. Envergonhavam-se os homens, de serem por ele vencidos, e de toda estrutura que precisavam montar para livrarem-se do seu veneno.

Enquanto ele, naturalmente, circulava, e se movimentava disfarçado em sua fantasia. Era alheio ao que os homens arquitetavam. Sua natureza era essa, estava apenas cumprindo o seu papel. Não se comovia com as lágrimas, ou com as dores.

Tomei as precauções para me manter distante dele, já que a propaganda era tão alarmante. Certo dia, porém, nos encontramos. Gostaria de dizer, que quando o vi à minha frente, tremi nas bases, o sangue me fugiu das veias, petrifiquei, ou coisa assim, mas, não foi o que aconteceu. Ele é discreto, covarde, dissimulado, e atacou-me à traição. Não o vi. Não sei onde se deu o encontro. Não sei se invadi o território dele ou se ele invadiu o meu, só sei que nos encontramos, e que as conseqüências desse encontro foram dolorosas.

Eu já não tinha o mesmo pensamento de antes, agora, achava que a imprensa deveria enfatizar melhor a sua periculosidade, pois, ele era realmente um terror. E o pior, era invisível. Dificultava o combate.

Naqueles dias após o nosso encontro, prostrei-me, impossibilitada de executar qualquer atividade. Minhas articulações enrijeceram, a temperatura oscilava, a pele queimava, as dores se sucediam... No meu leito de dor, eu apenas murmurava, e não conseguia comer com gosto os alimentos, isso quando pelo menos conseguia comer. Água, muita água, era o que me conferia certo alívio, pois, amenizava o fogo que me consumia. Escapei. Estropiada, mas escapei.

Passei a temer-lhe como o diabo da cruz, e de tudo fiz para evitar novo encontro, porém, ele de novo me achou, e mais uma vez, caí em sua cilada. Novo terror, nova dor, e agora um medo desmedido, pois, dizia-se que, ninguém escapava dele no terceiro golpe.

O terceiro golpe não aconteceu, pelo menos até agora, todavia, só de pensar em me deparar de novo com ele, tremo nas bases, pois, o  minúsculo mosquito da dengue, é uma arma mortífera.

Por Socorro Melo
Projeto Cata-Vento


8 comentários:

Evanir disse...

Parabéns para nos que tanto carinho temos pelas nossas amizades
quantos vezes mesmo cansados procuramos de alguma forma acarinhar
nossos amigos(AS).
Na verdade ao longo do tempo fez nossa amizade crescer
hoje somos como irmãos .
Uma verdadeira nação de blogueiros unidos no amor.
Um beijo carinhoso pelo nosso dia.
Que muitos anos possamos comerar cada vez mais unido essa Dia.
Carinhos meus.Evanir..

Néia Lambert disse...

Esse matador é implacável e todo cuidado é pouco!

Ótimo texto Socorro, um alerta contra o terrível mosquito.

Beijos

Gilmara Wolkartt disse...

Ei Socorro!
O pior é que a dengue é mesmo tudo isso, devemos todos ficar alerta.
A prevenção é o melhor remédio.
Gdbeijo

Manuela Freitas disse...

Muito bem narrado Socorro! Penso que esse matador pode ser uma metáfora, sendo assim todos fugimos, todos temos medo de o encontrar pela frente!
Beijinhos

Élys disse...

Uma beleza de texto. É preciso tomar todas as precauções possíveis para que se acabe com esta ameaça.
Um abraço

Sissym disse...

Aiiiiiiiiiii Socorroooo..... não diga uma coisa desta!

Olha, junho do ano passado eu tive e foi um HORROR. fiquei com 70mil de plaquetas, eu chorava pq pensei que ia morrer, dava impressão que eu ia explodir!

Uma prima me contou que teve dengue 2 vezes! Sendo a segunda mais branda. Eu tenho pavor de pensar nisso, especialmente pq a 2a. vez, ou em outros caso, 3a. vez, pode ser a fatal.

O seu texto foi fantastico.

Beijos

Luma Rosa disse...

Que crônica maravilhosa!! A Sissym me indicou lá no twitter e vim correndo como pude, pois o matador também entrou em ação por aqui, bem sabe!! Foi lá no "luz" e não me falou da sua crônica... danada!! Vou adicionar um link para cá! Bom fim de semana! Beijus,

Socorro Melo disse...

Oi, gente!

Nos unamos todos contra "o matador", rsrs

Quem já foi vítima, sabe do que estou falando: é horrível.

E eu morro de medo de ser atacada novamente, confesso, rsrs

Luma, quando vi a sua matéria, por sinal fabulosa, sobre a Dengue, eu já havia postado o matador, e até pensei em fazer alusão no comentário que fiz no seu Blog, mas, neste dia eu estava com problemas na conexão, caindo muito, e acabei esquecendo desse detalhe, me perdoa, tá? Fico feliz que tenha gostado.

Sissym, obrigada, viu? Valeu!

A todos vocês que me deram o grande prazer da visita, meu grande abraço, e minhas peces.

Paz e Bem!
Socorro Melo