Pegadas de Jesus

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quarta-feira, 16 de maio de 2012

MADURAR



Imagem do Google

Um belo dia, enquanto eu aguardava em uma fila de Banco, presenciei uma acalorada discussão entre uma senhora bastante idosa e outra mulher jovem, na fila destinada às prioridades. A senhora chegou, e postou-se atrás da jovem, e em poucos instantes, começou a falar alto, demonstrando irritação, sugerindo que a moça estaria na fila errada, por ser jovem, e prejudicando o direito dos idosos.

A outra mulher entendeu as insinuações, e educadamente se voltou para a velha senhora, dizendo-lhe que era deficiente, e que, portanto, tinha o direito de estar ali. Como a deficiência era discreta, a senhora continuou implicando com a moça, dando a entender que a mesma estava se aproveitando de um direito que não lhe pertencia. A moça não deu atenção às suas indiretas e usufruiu o seu direito como lhe convinha.

E eu me pus a pensar na atitude imatura daquela senhora idosa, e no valor da maturidade e de sua importância em nossas vidas.

Ela nos capacita para enxergarmos mais longe. Parece que com a sua chegada os nossos olhos desanuviam. Ou será que passamos a enxergar com os olhos do coração?

A vida passa a ter um novo sentido. As aspirações mudam. E a busca da felicidade consiste no descobrimento de nós mesmos, num processo contínuo, diário.

Todas as experiências passadas estão por perto, ao alcance do pensamento, para reavivarem a mente quando precisamos. E elas são o alicerce, da nossa construção.

As falhas e as dificuldades que enfrentamos outrora, e que nos arrancaram lágrimas, têm na maturidade um valor inestimável. Foram elas as melhores mestras da vida. Foram elas que nos fizeram entender que temos limites, e que não podemos ultrapassá-los, e nem nos arvorar em nada.

Os caminhos da maturidade são tortuosos, pois, passam por dentro do nosso orgulho, da nossa vaidade, e acima de tudo do nosso egoísmo. E essa passagem nos machuca, pois, não é fácil nos despojarmos das nossas misérias.

Todavia, quando a vislumbramos, nos sentimos completos. É como se de repente saíssemos de um atalho íngreme, e pegássemos uma estrada boa, plana, cercada de árvores frondosas, de flores silvestres, e ao longo do caminho, dividíssemos nosso passeio com as borboletas multicores, com os passarinhos, com as libélulas.

A maturidade nos aguça as boas intenções. Sentimos urgência em recuperar o tempo perdido com frivolidades. A vida medíocre, recheada de futilidades, já não nos atrai, e fechamos os olhos para toda ilusão.

Vamos nos descobrindo pouco a pouco. Vamos tomando consciência do nosso valor como pessoas humanas, ao mesmo tempo em que aprendemos a valorizar o outro. A compaixão desabrocha no nosso coração, e passamos a sentir a dor do próximo como se fosse nossa própria dor.

Choramos com os que choram, sorrimos com os que se alegram, e estendemos nossas mãos em direção dos menos favorecidos. Dividimos nosso pão, e colocamos á disposição o nosso ombro, para dividir também a dor, pois que perdemos a crença em qualquer elixir mágico que possa saná-la, a não ser o amor.

Sim, a maturidade nos torna melhores, mais atentos, mais sagazes. No entanto, maturidade não significa a soma de anos vividos, pois, há aqueles que alcançam a velhice sem alcançar a sabedoria proporcionada pela maturidade.

Madurar é, portanto, um estado de espírito. É uma conquista de aprendizados, conseguidos com decisão e esforço.

Com a maturação nos tornamos mais confiantes em nós mesmos, e na vida. Libertamo-nos de parte dos nossos medos, porque fomos obrigados a encará-los de frente para sobreviver. Descartamos parte dos nossos sonhos, pois, muitos deles eram ilusões, de vaidades e de orgulho dissimulados. Pomos fim à parte de nossa ansiedade, pois, descobrimos que viver não tem pressa...

E ganhamos muito ao aprendermos o que de fato nos alavanca, nos dá suporte, e nos mantém de pé.

A sensação de ser uma pessoa madura é confortável. E é prazeroso saber que o tempo e a vida deixam marcas. Não apenas marcas no rosto ou nos cabelos, mas marcas na alma.

Quando maduros nos sentimos seguros da nossa condição, andamos de cabeça erguida, e olhamos nos olhos de nossos interlocutores, dispensamos respeito, para que sejamos respeitados.

O tempo nos rouba a juventude, o vigor do corpo físico, mas, nos dá em troca a beleza da maturidade.

Adquirimos uma beleza própria, e suavidade, conseqüência da serenidade que se plasma em nosso interior, revestido de prudência, e tudo que mais almejamos, nessa fase, é transbordar os conhecimentos que a vida generosamente nos deu, para que outros tantos, especialmente jovens, se espelhem, se motivem, e aprendam a discernir os reais valores, e tomem posse do tesouro, que é a sabedoria da vivência.

Por Socorro Melo

11 comentários:

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

muito bom seu post, Socorro. é verdade, esta senhora não soube receber o que o tempo nos traz de bom, que é a maturidade. a reação dela foi bem imatura e até infantil...

o tempo tempera a gente, minha avó falava assim rs.

adorei sua reflexão, muito boa e profunda. e seu texto é bem claro e sincero, é gostoso de ler.

bom dia

Néia Lambert disse...

Socorro, seu texto é maravilhoso! Penso exatamente dessa forma, maturidade é um tesouro que valoriza e embeleza a vida.

Beijos

pensandoemfamilia disse...

Excelente reflexão. Diariamente nos deparamos com situações sobre os direitos que invadem o ser humano de uma série de maus tratos. Idade e maturidade nem sempre caminham juntas.

elvira carvalho disse...

Excelente post amiga. A realidade é assim mesmo. Existem pessoas que deixaram para trás a juventude há largos anos e não teêm maturidade para aceitar os reveses da vida.
Esta manhã estive aqui a ler o poste das panelas de barro. Ia jurar que tinha comentado mas não vejo lá o comentário. Será que se perdeu? Ou fui eu que julguei comentar e por qualquer razão saí sem o fazer?

Um abraço

♫*Isa Mar disse...

Oi Socorro, que texto maravilhoso, fui lendo e me identificando com cada palavra.
Realmente a maturidade não depende da idade e sim do quanto colocamos atenção e entendimento nas coisas da vida.
Passamos a ver as coisas de outra forma e deixamos as futilidades de lado.
Me sinto ás vezes como um peixe fora d'água pois não vejo mais graça em tantas coisas que as pessoas fazem em nome da diversão e do prazer.
Sinto alegria nas coisas simples da vida e que a maioria não enxerga pois não tem olhos e nem sensibilidade pra ver.
Beijos pra ti!

Imac by Artes disse...

Parabéns amiga por esse post!
Concordo plenamente contigo: Com o amadurecimento, aprendemos discernir os reais valores,tomamos posse de um tesouro de valor inestimável, a sabedoria da vivência. Isso é lindo!
Abraços! Uma tarde abençoada pra ti.

Élys disse...

O passar do tempo vai trazendo a experiência que deveria ser agregada às pessoas, formando a maturidade, mas nem sempre isto acontece por diversos fatores.
Foi provavelmente devido a isso que você presenciou a cena descrita.
Um abraço.

✿ chica disse...

LIndo,Socorro e saber amadurar é preciso.Ganhamos dias, ganhamos rugas, ganhamos saberes, perdemos viço... Mas faz parte...Lindo! beijos,chica

Toninhobira disse...

Linda reflexão Socorro, este madurar é preciso e possivel na vida e quando atingido há uma revolução de vida,como bem relata sua inspiração.Viver é estar a cada dia neste processo de maturidade, que faz romper amarras e liberar sentimentos.Feliz postagem amiga.
Meu carinhoso abraço.

Anne Lieri disse...

Socorro,muito bom o seu texto e nos faz refletir!Infelizmente essa senhora não amadureceu ainda,está sem paciencia e falta muita generosidade em seu coração!Ótima história tb!bjs,

RUTE disse...

Oi Socorro,
ainda estou na azafama da BCAP entre o trabalho diário da profissão, mas vim lhe falar que pode postar hoje se quiser.
Se não, deixa para a outra fase, não tem problema. Você decide.
Beijo.
Rute